Inspirado num caso real acontecido no Texas, na década de 1990, no filme seguimos Vicky (Vanessa Shaw), uma enfermeira que após um acidente é picada por uma seringa, contraindo Sida. Como já existem mecanismos criados para que este tipo de acidentes sejam evitados, a mulher decide processar o hospital por negligência, iniciando aqui uma verdadeira visita ao negro mundo dos contractos destes estabelecimentos com grandes grupos ligados à saúde, e entendendo-se que por trás de muitas decisões dessas unidades estão ligações obscuras numa américa entregue à sua sorte e ao capitalismo selvagem que criou e apadrinha.
Com esta base temos assim mais um típico caso de David contra Golias, ou neste caso específico, Vicky contra uma poderosa empresa ligada ao ramo da saúde. Este género de filmes é muito profícuo e frequente nos EUA, sendo «Erin Brockovich» e «O Informador» duas obras nesta linha que triunfaram – à sua maneira – naquilo que contam.
Tudo isto é seguido pelo olhar e acções de Mike Weiss (Chris Evans), um advogado brilhante que vai pegar no caso, mas que tem o senão de ser dependente das drogas (cocaína). O filme acompanha assim, de forma paralela, o avanço do caso de «tribunal», enquanto ao mesmo tempo enfatiza a dependência e a decadência da reputação e imagem do advogado e da sua ligação com o seu sócio Paul Danziger (Mark Kassen, que co-realiza o filme) na Lawson, Weiss & Danziger.
abituado a participar em blockbusters («Ligação de Alto Risco», «Quarteto Fantástico», «Capitão América» e «Os Vingadores») e filmes de cariz mais independente («London», «Gente Estranha»), Evans dá o corpo e alma a uma personagem martirizada pelo vicio, mas também pela obsessão em torno de um caso cruel e com demasiados interesses envolvidos, não só nas estruturas hospitalares, mas também na política americana, dependente monetariamente de grandes doações. Ainda assim, o filme nunca nos consegue agarrar de forma energética com o seu enredo, pois embora o coração esteja no lado certo, a sua vertente de thriller é cabisbaixa, tornando o filme demasiado morno embora emocionalmente tocante.
Como tal, e seguindo uma linhagem bastante formulaica, o filme acaba por ser demasiado neutro e insonso, faltando o arrojo e a chama de transformar as boas ideias em algo mais que a conspiração corporativa banal. Por isso mesmo, «Puncture» acaba por ser tão imperdível como dispensável, pois se merece que a sua história seja conhecida, ao mesmo tempo apresenta-nos a mesma sem a força que ela merecia.
O Melhor: Chris Evans na generalidade e o facto de sabermos que é baseado numa história baseada em factos reais…
O Pior: É uma fórmula já vista e com melhores resultados alcançados
| Jorge Pereira |

