Elenco: Patrick Bruel, Charles Berling, Valérie Benguigui, Guillaume de Tonquedec, Judith El Zein
Quarto filme mais visto em França em 2012, ano marcado por um ascendente impressionante do cinema francês nas bilheteiras, “O Nome da Discórdia” chega a Portugal apenas dois meses depois do seu lançamento no seu país. É baseado na peça teatral escrita pelos mesmos realizadores do filme, que também assinam o argumento. No teatro, foi nomeado para o maior prémio da categoria em França, o Molière, em 2009. Em cinema, é o segundo filme de Delaporte e o primeiro de Patellière.
Mesmo que não se soubesse de antemão, a origem teatral do filme é mais do que evidente – até por concentrar quase toda a ação em um único cenário. Pelo meio, tenta-se dinamizar a sua passagem para o cinema com insights ilustrativos que lembram “O Fabuloso Destino de Amèlie”.
Fora deste cenário principal, a sequência inicial é particularmente interessante: um entregador de pizzas percorre as ruas de Paris enquanto uma voz em off fala das vidas catastróficas dos personagens históricos que dão nome às ruas da cidade. Além de lembrar o facto anedótico das ruas de Paris (e, quem sabe, de todas as cidades) terem os nomes de personagens históricos de vidas trágicas, lança o drama central do filme: a questão do “nome”.
Este servirá de ponto de partida para a “tragédia” cómica que se abaterá sobre a residência do casal Pierre (Charles Berling) e Elizabeth (Valérie Benguigui), naquele que seria apenas um jantar entre amigos e familiares. Ocorre que uma polémica – envolvendo o nome do filho ainda não nascido de Vincent (Patrick Bruel), irmão de Elizabeth – desencadeará uma tormenta que irá testar a força (ou a falta dela) dos laços afetivos construídos desde a infância entre os três mais o amigo Claude (Guillaume de Tonquedec) – para além do próprio casamento de Vincent com Anna (Judith El Zein), que chega tarde para o jantar mas a tempo de participar da confusão que se instala.
A velocidade alucinante dos diálogos não nega o seu país de origem – e é preciso mesmo uma grande dose de inventividade e imaginação para sustentá-los e, consequentemente, o próprio filme. Obviamente a sua base, já testada com sucesso no teatro, facilitou-lhes a tarefa. Assim, esse teatro filmado é frequentemente engraçado e muitas vezes inteligente. Falta, por vezes, alguma substância – já que em termos temáticos acaba por não ir muito além da fobia politicamente correta da intelectualidade francesa em relação ao nazismo. Dada à conjuntura atual, com a extrema-direita francesa a aliciar cada vez mais eleitores, não deixa de ser irónico – o melhor mesmo seria se o nome que projeta tanta discórdia fosse “Marina”…
O filme também perde um pouco de ritmo na sua parte mais “dramática”, já na sua segunda metade, mas termina por ser coroado com um final divertido e surpreendente. “O Nome da Discórdia” marca mais pontos para o cinema francês, que a cada dia mostra que não é preciso ser ruim e banal para ser acessível.
O Melhor: os diálogos, frequentemente cómicos
O Pior: alguma perda de ritmo antes do fim
| Roni Nunes |

