«Prometheus» por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

Foram tantos os anos de gestação, e consequentemente de expectativas geradas – sobretudo sabendo que seria Ridley “Alien/Blade Runner” Scott a conduzir este projeto – que o seu nascimento estaria à partida mais que condenado, nesta era em que o “hype” facilmente se vira contra os seus criadores, quando o resultado foge minimamente às expectativas. 

Esta “quase-prequela” de Alien (tecnicamente imagino que seja um Alien -5, em vez de Alien 0, estando também ali a escavar e a escavar em várias direções) é… algo… desapontante. Mas não pelos motivos esperados. Se esperávamos uma repetição da fórmula que fez da Tenente Ripley uma das grandes figuras da ficção, o melhor é abandonar já essa ideia. Aqui o espírito acaba por ser mais cerebral, mais filosófico, lembrando inevitavelmente “2001”, mas ainda assim sem querer soltar-se da sua saga mãe (ou tetra-tetra-tetra-neta, se preferirem…). Não: “Prometheus” desaponta por ser um híbrido esquisito que raramente nos faz sentir que temos o nosso sono em risco, apesar de ter os seus momentos “gooey” e os seus choques imediatos (uma cena de errr… “auto-cirurgia” é particularmente angustiante). Os anos passaram, é certo, e um espectador já não tem 10 anos, com medo que um “Alien” – ou pior ainda, um “facehugger” (eww!) – saia debaixo da cama. Mas vemos “Alien” de novo, com 20, 30, 50 anos e… caramba, o filme ainda nos tira totalmente do sério! 

Talvez estas comparações todas com “Alien” sejam injustas, é certo. “Prometheus”, apesar de brincar e muito com as expectativas do espectador, funcionará muitíssimo bem para quem não tenha visto qualquer filme “posterior”. E tem ideias para dar e vender a qualquer “blockbuster” que se meta no caminho este verão. Além disso, os cenários continuam impressionantes, os atores não podiam ter sido melhor escolhidos, e permanece aqui, mais frustrantemente, muito do mesmo clima que caracterizou o filme de 1979. Infelizmente, o que senti ao abandonar a sala, foi ter visto uma peça de um ato, muitos preliminares e muita conversa existencialista para pouca ação e pouco sobressalto. Talvez o tempo lhe seja bondoso. Talvez as inevitáveis sequelas o melhorem. Talvez à medida que se separe da sombra do seu criador, responsável por ter criado duas das maiores obras-primas de ficção científica da história do cinema, a experiência se torne melhor. Talvez, talvez. Mas, contando já com a dificuldade de formular uma opinião concreta (o filme é assim tão…cerebral), e já tendo marinado uma noite sobre ele, permanece inevitavelmente um travo de “anti-climax”. 


O Melhor: A direção artística, a vontade de ser diferente da saga que tanto referencia. 
O Pior: A sensação final de anti-climax. 
 
 
 André Gonçalves
 

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