«Machos Contra Fêmeas» é a primeira parte de um diptico assinado por Fausto Brizzi, um cineasta que procura através da comédia de costumes ao estilo italiano fazer o espectador rir com as relações entre homens e mulheres, e onde a traição parece ser o mote para todos os desenvolvimentos.
E os risos existem mas não na quantidade gerada por outros produtos do género, mesmo italianos, em que os costumes se confrontam («Bem-Vindos ao Sul», é dos últimos exemplos). Nesse aspecto, «Machos Contra Fêmeas» peca por ser um projeto muito estereotipado e caricatural que não sabe ser uma comédia minimamente inteligente e que nos entretenha durante a sua duração, chegando mesmo a ser entediante e insultuoso com o seu machismo primário capaz de funcionar nos anos 80 e 90, mas não agora (aparentemente ainda há filmes em que um pobre homem trai a esposa porque houve uma jovem que realmente insistiu muito).
Para além disso, o seu formato quase que televisivo e algumas sequências mal conseguidas retiram um tom de verdadeiro cinema, restando assim um emaranhado de situação/sketches que a espaços conseguem ter alguma graça, mas que na generalidade estão sufocadas por uma total banalidade derivativa e redutora, onde os próprios atores sofrem com isso. Há 6, 7 anos atrás – quando ainda existia mercado nos videoclubes – este era o tipo de obras que ia lá parar sem passar pelo cinema…
O Melhor: Um par de situações com alguma piada
O Pior: Banal, machista e previsível
| Jorge Pereira |

