«Men in Black 3» (Homens de Negro 3) por Pedro Quedas

(Fotos: Divulgação)

“MIB 3 consegue corrigir os erros do segundo sem, no entanto, voltar à genialidade do primeiro” 

 

A expectativa para este filme era… dúbia. Depois de um primeiro filme muito divertido, que conseguia ter tantas piadas quanto tiros e que funcionou como uma das pedras basilares para a ascensão meteórica de Will Smith, o realizador Barry Sonnenfeld (“A Família Addams”) cometeu, no segundo filme, o erro de se concentrar demasiado nas piadas e não no desenvolvimento das relações pessoais entre os personagens. Saiu uma grande trapalhada e presumiu-se o fim do franchise.

Dez anos depois, o realizador norte-americano volta a juntar o Agente K (Tommy Lee Jones) e  o agente J (Will Smith) para, dá a sensação, tentar de novo. E os resultados são bem, bem melhores. Tommy Lee Jones, apesar de só aparecer numa parte reduzida da história, é tão bom como sempre, e Will Smith entrega-se de corpo e alma à personagem, com o carisma fácil que mais ninguém parece ter na Hollywood dos tempos modernos.

O enredo do filme é tão rocambolesco como improvável. Boris “O Animal” (Jemaine Clement, do duo cómico “Flight of the Conchords”) é um extraterrestre muito perigoso que foge da sua prisão na lua e decide vingar-se do agente que o prendeu, há mais de 40 anos: K. O seu plano envolve voltar a trás no tempo numa invenção alienígena e matar K antes de ele o poder prender. Quando J se apercebe do que se passou, volta também ele ao passado, decidido a impedir que o seu plano tenha sucesso.

E assim chegamos ao melhor do filme. A desempenhar o papel do mais jovem K, em 1969, temos Josh Brolin. E que papel este é… Com uma precisão incrível para captar todos os maneirismos e trejeitos de Tommy Lee Jones, Brolin veste o sotaque texano com orgulho e ataca um papel cómico com uma entrega que nem sempre se vê em filmes bem mais “sérios”. Uma interpretação que vai além da imitação (brilhante que é) e transcende mesmo a leveza do filme em que se encontra.

Como avaliar então este filme? Will Smith e Josh Brolin demonstram grande química juntos e alguns dos ‘gags’ relacionados com quantas das mais loucas figuras dos anos 60 seriam extraterrestres resultam muito bem. Por outro lado, a trama é ainda mais confusa que o costume e o trauma que parece assombrar o mais velho K e torná-lo ainda mais rabugento que o normal deixa, aquando da sua revelação, algo a desejar. Em última instância, MIB 3 consegue corrigir os erros do segundo sem, no entanto, voltar à genialidade do primeiro. Nos dias que correm, será errado pensar que isso já não é nada mau?


O Melhor: O carisma de Will Smith e a genialidade de Josh Brolin.
O Pior: O trauma que desencadeia a narrativa deixa algo a desejar.
 
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Pedro Quedas
 

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