Independentemente do seu resultado final como produto cinematográfico, “Na Terra do Sangue e do Mel” será para sempre conhecido como o primeiro filme realizado por Angelina Jolie, que assina igualmente o argumento e a produção. Tal como seria de esperar, a escolha não recaiu sobre um tema fácil e narra a história de amor impossível entre Danijel, um militar sérvio, e Ajla, uma muçulmana bósnia durante a Guerra da década de 90.
Jolie não se coíbe de mostrar o drama da guerra, sobretudo na vertente das atrocidades cometidas contra as mulheres, algumas delas escravizadas e constantemente vítimas dos mais diversos tipos de sevícias. Outras, são desalojadas e perdem filhos perante o incompreensível conflito. Por outro lado, a atriz e agora realizadora, deixa vincada uma posição de condenação ao papel da comunidade internacional, tão solicita para algumas intervenções, mas que optou por ignorar durante demasiado tempo o maior conflito europeu no pós Segunda Guerra Mundial.
No entanto, parece ser ao nível do argumento que o filme tem a sua maior falha. A obra não aflora as motivações que levaram ao conflito na Bósnia, e quem não tenha conhecimento de antemão não ficará esclarecido. Quanto à história de amor, acaba por ter inerente a frieza inerente ao ambiente em que se insere, sobretudo da parte de Ajla.
No que à realização diz respeito, as coisas mudam um pouco de figura, e Angelina Jolie demonstra que tem potencial, para daqui em diante puder apostar numa nova vertente para a sua carreira. Mesmo assim, fica a nota extremamente salutar de perceber que uma estrela da sua dimensão usa a projeção que tem para a chamar a atenção para mais do que vestidos, malas e sapatos.

