“La Rafle” (As crianças de Paris) acompanha esses eventos, seguindo mais de perto alguns grupos de famílias judias, demonstrando que, acima de tudo ,elas nunca acreditaram que tal lhes pudesse acontecer, sendo muitos deles cidadãos franceses que até lutaram pelo país na 1ª Guerra Mundial.
Mas se as intenções e a coragem dos produtores são de louvar nesta obra, o resultado final e o trabalho de Roselyne Bosch – que já prepara um trabalho polémico sobre Rasputin – não o são. O filme é demasiado clássico na abordagem e perdem-se em mil personagens, sem valorizar nenhuma em particular, o que tira o verdadeiro fôlego dramático. Para compensar, e de forma excessiva, são servidos no grande ecrã diversos elementos melodramáticos, por vezes explorativos, transformando a obra num drama chorão da causa judia, mas não a nível pessoal das personagens. Aqui voltamos aos tempos dos filmes dos bons e dos maus, unidimensionais, e Hitler é apresentando de tal forma caricatural que mais parece uma personagem de um filme, e não um homem que realmente marcou o mundo da pior maneira. E mesmo recheado de atores com créditos firmados, como Jean Reno e Sylvie Testud, o filme não é capaz de lhes dar personagens profundamente inspiradoras, ou mesmo inspiradas, sendo a sua passagem pela obra perfeitamente dispensável.
Por isso, ‘La Rafle’ pode até funcionar como documento histórico (ou de propaganda, se quisermos ser maus), mas como filme é um retrocesso a outros trabalhos bem mais humanos e ao mesmo tempo emotivos como “A Lista de Schindler” ou “ O Pianista”. Todo ele é melodrama manipulador e todo ele é muito pouco cinema…
Profundamente dispensável… 3/10
O Melhor: É um documento histórico inegável.
O Pior: Drama chorão sem qualquer profundidade das personagens.
| Jorge Pereira |

