‘It’s Complicated’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

‘It’s complicated” é um dos estados mais curiosos do facebook, certamente lutando lado a lado com o solteiro ou mesmo casado para definir o estado relacional de um individuo na rede social.

Esse é também o nome do novo filme de Nancy Meyers, responsável por obras como “Something’s Gotta Give” (2003), que rebusca alguns dos elementos da comédia screwball – presente nas fundações de Hollywood – mas que desta vez fracassa pelo tom óbvio e previsivel que sempre o acompanha.

No filme seguimos Jane (Meryl Streep), uma mulher divorciada que volta a ter um caso com o seu antigo marido, Jake (Alec Baldwin), dez anos após a separação. Tanto ela como os filhos do casal nunca superaram bem o fim da relação, mas agora sem inúmeras pressões que acinzentaram o casamento dos dois, voltam a encontrar uma chama que pensavam estar há muito apagada.

Pelo meio há a actual mulher de Jake, Agness (Lake Bell), o “diabrete” do filho desta, Pedro, o arquitecto que prepara a nova casa de Jane, Adam (Steve Martin), e um bando de filhos já “semi” adultos, pois todos eles parecem pintos do mesmo galinheiro.

O filme circula então em torno dessa nova relação, que bem pode ser definida como “Complicada”, pois não é uma mera relação extra-conjugal, nem um namoro, nem nada. No fundo este filme representa para as mulheres divorciadas com mais de 40 anos o que Transformers representa para adolescentes masculinos sedentos de acção e Megan Fox: uma hipótese de se auto-projectarem numa história que se forem bem a fundo não tem muito a ver com elas, mas em que se adoram inserir. E tudo porque este é um filme extremamente cliché, de emoções à flor da pele e um design nouveau riche super habitual nas obras desta cineasta. Como Pablo Vilaça descreveu na sua critica ao filme, “Meyers encara seu próprio sexo como um apanhado de neuroses e carências” , e não muito mais que isso. Nora Ephron, outra cineasta que acompanha muito as obras desta geração de problemas (com Meg Ryan como a ‘vitima’), consegue sempre tratar melhor as suas personagens, histórias e ambientes.

Para além disso estranha-se a longa duração desta obra, duas horas, sempre em torno de algo que já sabemos que vai ocorrer. O que fica então?
Um filme com um elenco de luxo que puxa por onde pode para dar dinâmica a mais uma história de mulheres enganadas e que buscam o amor ou algo que as reavive depois de uma relação extremamente frustrante.

Palmas para o duo protagonista, ainda que poucas, porque até Meryl Streep se está a esgotar nestes papeis complexados.

O Melhor: Alec Baldwin
O Pior: O novo riquismo tão abundante nas obras desta cineasta e as constantes focalizações neuróticas das suas personagens femininas atormentadas
Base
Filme que fracassa pelo tom óbvio e previsivel que sempre o acompanha…4/10

 
Jorge Pereira

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