
Uma das críticas mais engraçadas que li sobre “Oceans 12” referia o facto de ser notório que o elenco do filme divertira-se mais a fazer o filme que o espectador a vê-lo. Na altura eu não concordei, mas repesco agora essa frase, que não me lembro bem quem disse, para dizer que essa é a sensação que fico ao assistir a este “The Men Who Stare at Goats”, uma sátira política e militar recheada de bons actores, ideias curiosas, mas um humor que não soube ser bem explorado na adaptação ao cinema.
No filme seguimos um jornalista (Ewan McGregor) que foi procurado por um militar que dizia ter feito parte de um grupo especial de paranormais convocados pelo Exército dos EUA para a Guerra Fria. Quando a namorada abandona Ewan McGregor, este parte para o Iraque para lhe mostrar que é melhor que o novo namorado dela, cruzando o seu destino com um desses soldados paranormais que o vai fascinar com uma missão.
E mesmo contando com prestações notáveis do duo já citado, e de outros actores como Jeff Bridges e Kevin Spacey, esta obra sofre pela forma como tudo é tratado. É que tudo é tão absurdo, que o que poderia ser um excelente filme anti-guerra, e notável em mostrar a paranóia existente nos tempos da Guerra Fria e agora no Iraque, acaba por se transformar num mero conto fantasioso e surreal, capaz de divertir mas não sendo incisivo.
De certa maneira há aqui muitos elementos que me fazem lembrar os trabalhos de John Sayles, dos Coen e mesmo Joe Dante, mas Grant Heslov não conseguiu transformar esta obra em mais que um delírio de LSD.
4/10
O Melhor: LSD num acampamento militar no Iraque.
O Pior: Mais absurdo que satírico
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| Grant Heslov não conseguiu transformar esta obra em mais que um delírio de LSD….4/10 |
Jorge Pereira

