‘Invictus’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
Se há coisa que estamos habituados na cinematografia de Clint Eastwood é a obras profundas, multidimensionais e a verdadeiros rombos emocionais que nos fazem pensar e pensar.

Porém, neste seu biopic sobre Nelson Mandela, Eastwood executa uma obra banal, sintetizada num Nelson Mandela construído em torno de frases famosas e clichés políticos, um pouco como Soderbergh tinha feito com Che Guevara.

Ao inserir uma segunda linha no guião – a unificação nacional através de uma equipa de rugby – Eastwood dá, porém, uma rara perspectiva optimista muito pouco frequente nas suas obras, que tendencialmente acabam bastante mal.

Assim, em “Invictus” temos dois filmes num só. Por um lado uma obra política sobre o homem que teve que forçosamente unir um país. Por outro, um filme de desporto sobre como motivar uma equipa e atingir a excelência.

A verdadeira questão é que este é definitivamente um trabalho menor do cineasta, pois é construído de tal maneira que o espaço de manobra é muito curto. É que nem chega a ser uma lição de história. Soa mais a uma palestra ou mesmo sermão, sobre algo que à partida é fácil de digerir e não gera muitas questões hoje em dia: a condenação do racismo e o apelo à tolerância.

Destaque final para o elenco, maravilhosamente liderado por Morgan Freeman, o verdadeiro impulsionador do aspecto político do filme. Já Matt Damon cumpre bem a sua função, tendo uma boa performance na vertente desportiva da fita.

No fundo, “Invictus” não é um mau filme, mas podia ser acima de tudo muito mais inspirador. Tal como o Nelson Mandela. O verdadeiro, não o “atirador” de frases feitas desta obra.

O Melhor: Morgan Freeman
O Pior: Mandela é uma colecção de frases feitas

A Base
“Invictus” não é um mau filme, mas podia ser acima de tudo muito mais inspirador. Tal como o Nelson Mandela. O verdadeiro, não o “atirador” de frases feitas desta obra… 6/10

Jorge Pereira

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