
Em tempos cínicos e incertos, onde a crise económica e o desemprego estão na ordem do dia, filmes como “Up in the Air” representam uma forma escapista, ainda que inteligente, de abordar certas temáticas, sem recorrer a um dramatismo exarcebado, mas a um realismo que apresenta por si só o melhor e o pior do ser humano.
No filme seguimos Ryan Bigham (George Clooney), um especialista na redução de pessoal corporativo, ou como ele diz, a pessoa que demite aqueles cujos patrões são suficiente cobardes para não o fazer. Assim, assistimos nesta obra a uma homem que viaja sistematicamente por toda a América em crise como mensageiro das más notícias, ainda que a sua forma de abordagem quase que dá a sensação que o melhor que aconteceu ao desempregado foi ser demitido.
Habituado a essas viagens e a viver praticamente nas alturas, Ryan adora a sua vida longe de compromissos pessoais e elementos materiais que possa colocar na sua “mochila”, vivendo assim sem o peso extra aos ombros que todas as pessoas diariamente carregam às costas.
Na realidade, há muito do cinismo da personagem que Clooney interpretou em “Intolerable Cruelty”, e do dom da palavra de Aaron Eckhart em “Thank you For Smoking”, neste Ryan Bigham, um homem que porém sofrerá um pequeno abalo na sua vida quando o seu chefe quer mudar a sua forma de trabalhar e ele conhece a sua versão feminina.
Construído de forma fluída e glamorosa, sempre atenta ao realismo do desemprego e do lado humano do problema, “Up in the Air” é assim um filme bastante interessante e que dá que pensar, perdendo porém fulgor no seu último terço devido à decadente força de Ryan enquanto ser independente dos compromissos e dos clichés da vida diária, que tanto nos prendeu desde o início pela sua diferença.
Destaque ainda para as personagens interpretadas por Vera Farmiga e Anna Kendrick, em especial a primeira, que em muito contribuí para a elevação da obra. A força que ela dá à sua personagem rivaliza com a de Clooney quando ambos estão em cena, sendo efectivamente ela que afasta o cenário de filme movido e carregado por uma única personagem, como muitos esperariam.
Concluindo, “Up In The Air” demonstra suficientes argumentos para rivalizar com todos os outros filmes nesta época de prémios, mostrando ainda que Jason Reitman depois de “Thank You For Smoking” e “Juno” é um dos cineastas mais interessantes de acompanhar no cinema contemporâneo.
Só esperamos que a irreverência e a natural pressão do peso dos filmes anteriores não adultere a sua maneira ousada e destemida de abordar as temáticas.
O Melhor:A irreverência do argumento inicial
O Pior: O Último acto
| A Base |
| “Up in the Air” representa uma forma escapista, ainda que inteligente, de abordar o desemprego e o compromisso.. 7/10 |

