“Battle for Terra” por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Tal como o próximo filme de animação ‘Planeta 51’, “Battle for Terra 3 D” apresenta os humanos como extraterrestres, e os aliens como o povo nativo. E tudo por causa da guerra de independência de Marte e Vénus, que na sua luta contra o nosso planeta levaram à aniquilação dos três. Os humanos que restam vivem agora numa enorme nave espacial, e acham que o Planeta Terra (não o nosso mas outro) é o ideal para ocuparem.

Assim, os nativos desse novo planeta são confrontados no seu próprio terreno por humanos invasores, naquilo que podemos considerar uma “Guerra dos Mundos” invertida.

Nesse planeta invadido temos Mala, uma jovem sonhadora e aventureira que quer sempre saber mais do que o que sabe.
Este planeta é bastante diferente, pois a paz, liberdade e tolerância são celebradas, como se de uma utopia se tratasse.
Quando a nave de um humano é abatida na guerra contra este planeta, Mala acolhe o extraterrestre, tentando a todo o custo salvar o seu pai, entretanto raptado pelos humanos.

Uma das maiores críticas que o filme tem recebido é o facto de não ser demasiado infantil para crianças, nem demasiado adulto para prender estes. Pessoalmente senti-me transportado para os anos 70 e 80 da animação, especialmente a orientada para TV e sem medo de fazer morrer uma personagem. É que convenhamos, desde que a Disney se tornou senhora de todo o mundo de animação – inclusivé via Pixar – o que nos surge no grande ecrã são comédias familiares ou no máximo dramas onde nunca ninguém morre. Ou seja, existe um total afastamento da realidade e no fundo só encontramos padrões moralizantes sobre o suposto verdadeiro sentido de “familia” ou “amizade”.

Apesar de cair também nisso, existem momentos de “Battle for Terra” que fogem demasiado a este padrão, o que nem representa muito uma lufada de ar fresco, mas um abanão na estrutura montada.

Visualmente intocável, e com personagens interessantes, ainda que confrontadas com questões morais comuns no cinema, “Battle for Terra” acaba por ser um filme diferente, mas não necessariamente melhor. O certo é que este mini arrojo lhe dá alguma unicidade, e o transformam num filme que até merecia uma olhadela.

O Melhor: A técnica, o 3D e a personagem Mala.
O Pior: A simplificação final e o final feliz que parece completamente inevitável nos filmes de animação de hoje em dia.

A Base
Esta obra visualmente em 3-D tem um aurgumento demasiado unidimensional. Uma espécie de argumento 1D, mas que tem laivos de arrojo que nos conseguem cativar. 6/10

Jorge Pereira

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