“Ice Age 3 : Dawn of the Dinosaurs” por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

 

Criar à segunda sequela um filme divertido, inteligente e acima de tudo esquizofrénico como este “Ice Age 3” é algo que pouca gente esperava. Mas é o que aconteceu. Palmas para a Blue Sky, o grande criador desta saga, que muita gente continua a pensar que é da Pixar (porque supostamente, tudo o que é bom em animação é deles).

Nada de mais errado. “Ice Age 3” é uma lufada de ar fresco no seio das sequelas, tão tristemente básicas nos últimos tempos devido às produções da Dreamworks. Pegue-se no exemplo de “Madagascar 2”, um filme que continua a insistir que basta colocar as suas grandes vedetas – os pinguins – em meia dúzia de situações hilariantes (que cabem num trailer)- e os restantes animais a cantar e dançar.

É que “Ice Age”, para além de ter uma das personagens mais místicas actualmente do cinema de animação – Scrat, o esquilo – possui uma história deveras interessante e outras personagens com que facilmente criamos empatia. E melhor ainda. Conseguir dar tanta força a uma nova personagem – Buck, a doninha – ao terceiro franchise, é absolutamente fantástico.

No filme pode-se dizer que seguimos 3 grupos em diferentes percursos. De um lado temos Scrat, sempre em busca da sua avelã, mas que pelo caminho conhece uma esquila que sabe como ninguém a arte da sedução e o torna louco. Nas cenas entre estes dois, destaque para duas sequências: a primeira é a luta pela avelã que se torna num maravilhoso tango cinematográfico. Depois, a sequência no “lar” do casal bem perto do fim. Profundamente hilariantes.

Paralelamente temos outro grupo de personagens e um novo percurso. Sid, a preguiça, decide adoptar três bebés dinossauro. Quem não acha muita graça é a mãe biológica deles, que inicialmente os persegue e finalmente os rapta a todos. Mas cuidado. Alguém bem mais perigoso os persegue.

E nisto há o terceiro percurso, executado por Manny, completamente neurótico, a sua “esposa” mamute grávida, Diego – um tigre sem a vitalidade de outrora e com palpitações – dois gambás idiotas e uma genial doninha zarolha – que faz lembrar os antigos piratas dos filmes de acção – e que procura a todo o custo um dinossauro branco – que lhe retirou um olho – a quem carinhosamente chama de Rudy. Este terceiro grupo procura Sid, que vai mais à frente.

E tudo isto ocorre num fabuloso mundo por baixo do gelo, pois nesta altura era suposto os dinossauros já estarem extintos.

É assim no meio desta louca aventura que nos deliciamos com os eventos. E nem vale a pena focar os atributos da animação. Já em “Robots” e nos anteriores “Ice Age” a Blue Sky tinha provado que estava no topo de gama. A verdade é que a história, as personagens e tudo em torno deste “Ice Age”, tornam-na com facilidade na saga de animação mais engraçada do cinema nos últimos anos.

O Melhor: Buck, a doninha e Simon Pegg, a sua voz. Fascinante
O Pior: O Início a meio gás com as crises de Manny, Diego e Sid

A Base
“A verdade é que a história, as personagens e tudo em torno deste “Ice Age”, tornam-na com facilidade na saga de animação mais engraçada do cinema nos últimos anos…. 8/10
Jorge Pereira

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