“Bruno” por Filipe Carvalho

(Fotos: Divulgação)

Se acharam que Borat tinha piada, então Bruno vai levar-vos a rir até doer a barriga.

Depois do sucesso que Sacha Baron Cohen alcançou com “Borat”, o inconveniente repórter do Cazaquistão que queria descobrir os Estados Unidos da América, bem como casar com Pamela Anderson, esperava-se que este seu novo filme fosse audaz o suficiente para ultrapassar o anterior, tendo em conta que esta personagem está conotada com estilos de vida dito alternativos, um tema sempre quente.

Verdade seja dita, “Bruno” não desilude. Pelo contrário, consegue ser hilariante de princípio ao fim, sempre pisando a fronteira do que é moralmente aceitável. Nesse ponto, em comparação com “Borat”, Cohen conseguiu criar um filme bem mais arrojado e irreverente. O facto de a personagem que dá nome ao filme ser completamente gay dá espaço de manobra para quebrar qualquer barreira e claro, encher o ecrã de cenas de cariz sexual.

Uma coisa é certa. Quem não se rir ao fim dos primeiros dez minutos, então pode sair da sala porque não vai gostar do filme. Quem já estiver com dores de barriga é melhor aguentar porque ainda tem mais uma hora de comédia.

O aspecto mais cómico do filme nem são as dezenas de cenas de carácter sexual, mas sim a reacção genuína das pessoas que Bruno consegue enganar e a capacidade de trazer ao de cima a hipocrisia da sociedade americana. É de guardar na memória a cena com Paula Abdul em que ela fala da sua causa humanitária enquanto está sentada nas costas de um empregado mexicano – ou a altura em que está a entrevistar duas raparigas de uma empresa de comunicação, para ver qual é a causa humanitária mais “in” do momento.

Esta capacidade que Cohen tem de deixar que as próprias pessoas se ridicularizem é o factor chave do filme. Ele dá o pontapé de partida e deixa correr para ver até onde chega a estupidez. Esta realidade está ligada à narrativa que faz andar o filme e o sketches. Bruno é o mais famoso apresentador da Áustria, com o seu conhecido programa de moda, até ao dia em que as coisas não lhe correm bem durante um desfile de Agatha Ruiz de la Prada. A partir daí, ele vai procurar voltar à ribalta de todas as maneiras e feitios, sempre acompanhado pelo seu fiel assistente, Lutz.

Num futuro próximo, alguém vai ter a paciência para analisar e desconstruir as razões que levam Cohen a criar um estilo de comédia ofensivo. É nessa altura que toda a piada se vai perder. Mas até lá, continuamos a rir e à espera para ver o que acontece com as suas personagens que rapidamente se tornam mitos.

O Melhor: O momento de “conversa” telepática com Mili, dos Mili & Vanilli.

O Pior: Ser a versão soft que vai chegar ao cinema e não a “unrated”, com as cenas de Le Toya Jackson.

A Base
“Se acharam que Borat tinha piada, então Bruno vai levar-vos a rir até doer a barriga…. 9/10
 
Filipe Carvalho

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