“The Last House on The Left” por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

 

Na imensidão de remakes que Hollywood tem produzido nos últimos anos, apenas um me conquistou realmente – e que cheguei mesmo a colocar vários patamares acima do original. Falo de “Assault on Precinct 13”, um filme de 2005 muito bem executado por Jean-François Richet a partir da obra homónima de 1976 de John Carpenter.

É em 2009 que faço uma segunda excepção, bastante surpreso, convenhamos, pois à partida não daria nada por este “The Last House on The Left”, o remake, e acabei verdadeiramente preso até ao último instante. E o mais curioso de tudo isto é que em termos narrativos o filme não se distancia muito do original, mas em termos de ambiente, esta versão de 2009 é tão cruel, perversa e doentia que somos totalmente invadidos por sentimentos moralmente corrompidos em nome da vingança pessoal.

“The Last House on The Left” segue uma família, os Collingwood, que vivem numa zona campestre isolada junto a um enorme lago. Numa ida à cidade, Mari, a filha do casal, encontra a sua amiga Paige. Aí elas são convencidas por um jovem a ir ao seu Hotel.

O problema é que esse jovem é filho de um presidiario evadido, que juntamente com mais duas personagens as vão raptar, violar e brutalizar. Abandonada no lago às portas da morte, Mari percebe que a sua única esperança será conseguir chegar junto dos pais, que a esperam em casa. Quando finalmente o consegue, percebe, aterrorizada, que o grupo se encontra refugiado em sua casa, após uma violenta tempestade que os apanhou desprevenidos. É então que os pais de Mari, John e Emma, decidem vingar-se e revertem o terror da situação para um ponto inimaginável de profunda vingança.

Não é segredo para ninguém o que me fascinam os filmes de vingança. Basta pensar que um dos meus “all time favorites” é “Oldboy” e que nos anos transactos aplaudi veementemente “Taken” e “The Brave One”. E tudo porque são filmes que mexem com os valores que defendo e me fazem sentir moralmente num limbo.

Em “Last House” senti-me incomodado, um pouco como me senti em “Funny Games”, “Irreversible” ou em “Martyrs”, pois questionei tudo o que moralmente defendo, como a verdadeira justiça e não actos de vigilante.

Para construir este desconforto em mim, um destaque muito positivo para as interpretações (adorei os desempenhos de Monica Potter e Spencer Treat Clark), a cinematografia e a banda-sonora. No campo da interpretação não há o habitual histerismo teen, nem o overacting “i’m a freak” dos vilões. Tudo é bastante simples, cruel, real. Tudo é perversamente assustador e é essa simplicidade que mexe connosco.

Por isso gostei deste “The Last House on the left”, um filme que não teve problemas em mostrar sangue e horror por razões comerciais. O espírito do primeiro filme – já de si inspirado em “Virgin Spring” de  Ingmar Bergman –   mantêm-se intacto e é, a meu ver, mesmo melhorado.

Definitivamente a ver…

O Melhor: Toda a sequência da descoberta por parte dos pais de Mari.
O Pior: A cena final era escusada…

 A Base

“Em “Last House” senti-me incomodado. Esta versão de 2009 é tão cruel, perversa e doentia que somos invadidos por sentimentos moralmente corrompidos em nome da vingança pessoal. …. 8/10

 

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