
Na imensidão de remakes que Hollywood tem produzido nos últimos anos, apenas um me conquistou realmente – e que cheguei mesmo a colocar vários patamares acima do original. Falo de “Assault on Precinct 13”, um filme de 2005 muito bem executado por Jean-François Richet a partir da obra homónima de 1976 de John Carpenter.
“The Last House on The Left” segue uma família, os Collingwood, que vivem numa zona campestre isolada junto a um enorme lago. Numa ida à cidade, Mari, a filha do casal, encontra a sua amiga Paige. Aí elas são convencidas por um jovem a ir ao seu Hotel.
O problema é que esse jovem é filho de um presidiario evadido, que juntamente com mais duas personagens as vão raptar, violar e brutalizar. Abandonada no lago às portas da morte, Mari percebe que a sua única esperança será conseguir chegar junto dos pais, que a esperam em casa. Quando finalmente o consegue, percebe, aterrorizada, que o grupo se encontra refugiado em sua casa, após uma violenta tempestade que os apanhou desprevenidos. É então que os pais de Mari, John e Emma, decidem vingar-se e revertem o terror da situação para um ponto inimaginável de profunda vingança.
Não é segredo para ninguém o que me fascinam os filmes de vingança. Basta pensar que um dos meus “all time favorites” é “Oldboy” e que nos anos transactos aplaudi veementemente “Taken” e “The Brave One”. E tudo porque são filmes que mexem com os valores que defendo e me fazem sentir moralmente num limbo.
Em “Last House” senti-me incomodado, um pouco como me senti em “Funny Games”, “Irreversible” ou em “Martyrs”, pois questionei tudo o que moralmente defendo, como a verdadeira justiça e não actos de vigilante.
Para construir este desconforto em mim, um destaque muito positivo para as interpretações (adorei os desempenhos de Monica Potter e Spencer Treat Clark), a cinematografia e a banda-sonora. No campo da interpretação não há o habitual histerismo teen, nem o overacting “i’m a freak” dos vilões. Tudo é bastante simples, cruel, real. Tudo é perversamente assustador e é essa simplicidade que mexe connosco.
Por isso gostei deste “The Last House on the left”, um filme que não teve problemas em mostrar sangue e horror por razões comerciais. O espírito do primeiro filme – já de si inspirado em “Virgin Spring” de Ingmar Bergman – mantêm-se intacto e é, a meu ver, mesmo melhorado.
Definitivamente a ver…
O Melhor: Toda a sequência da descoberta por parte dos pais de Mari.
O Pior: A cena final era escusada…
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A Base |
| “Em “Last House” senti-me incomodado. Esta versão de 2009 é tão cruel, perversa e doentia que somos invadidos por sentimentos moralmente corrompidos em nome da vingança pessoal. …. 8/10 |

