“Franklyn” por Jorge Pereira

 

Quem viajava em Londres há uns meses atrás reparava que por toda linha de metro se amontoavam cartazes de “Franklyn”, uma produção britânica que apostou forte na publicidade e no carácter misterioso da sua premissa para atrair uma série de fãs do chamado cinema distópico e futurista.

 

A acção desta obra passa-se em dois tempos e dois lugares distintos, acompanhando o espectador os eventos que vão ocorrendo em Londres e, paralelamente, em Meanwhile City.

Mas se há coisa que o cinema britânico já devia ter aprendido é que a estética não é tudo. É que em volta do misterioso conceito de “Franklyn” vamos apenas encontrar sequências banais e metaforicamente medíocres, interpretações aceitáveis, mas não memoráveis, ficando apenas na retina uma ou outra imagem mas não a história.

Para piorar, e mesmo sendo esteticamente cuidado e agradável, este visual é reminiscente de diversas outras obras, até nos ínfimos detalhes como o guarda roupa. Como exemplo temos uma Meanwhile City que parece algo entre Gotham City num “Blade Runner”, um guarda- roupa universal que se inspira sobremaneira nos trajes coreanos do século XVIII e um “herói” mascarado que faz lembrar Rorsach de “Watchmen” – e que vive numa casa que mais parece saída de “The Crow”.

 
Já o ambiente procura ser mais “Dark City” com uma narração “Sin City”. Ou seja, o que temos aqui é um melting pot de influências, que à primeira vista soam a muito originais, mas que no fundo são tudo reminiscências. Falta muito engenho a “Franklyn” para realmente ser um belo e inesquecível trabalho cinematográfico que nos conquiste, nem que seja no imediato.

O Melhor – A estética

O Pior – Previsível e até aborrecido nos momentos finais

 

A Base
“A estética não é tudo. É que em volta do misterioso conceito de “Franklyn” vamos apenas encontrar sequências banais e metaforicamente medíocres”…. 4/10
 
Jorge Pereira

Destaques