
“Traitor” é uma obra que anda a circular entre gabinetes em Hollywood desde 2002, altura em que se saísse para os cinemas teria certamente um impacto bem maior que o que teve aquando da sua estreia – em 2008.
A razão é simples e prende-se com o facto de séries de TV como “24” e especialmente “Sleeper Cell” a tornarem uma peça obsoleta em termos narrativos e na construção de personagens.
No filme seguimos a história de um homem, filho de mãe americana e pai sudanês, que embora tenha sido militar parece agora ter embarcado num caminho mais de “guerra santa”, ajudando uma célula terrorista a preparar atentados e sendo perseguido por agentes do FBI tolerantes e que tentam dar um aspecto sofisticado à típica dupla unidimensional que vê as religiões de maneira unilateral.
Na primeira parte deste filme, a melhor, assistimos a uma espécie de desconstrução da personagem de Don Cheaddle, percebendo o seu passado e de certa maneira compreendendo as suas razões e feitio. Porém, a determinada altura, o filme trai-se a si mesmo e mudamos para um thriller banal e formulático que mais parece uma versão para cinema da história de Darwyn (Michael Ealy) da última série referida em cima.
Como apenas estamos perante um filme, ou seja, algo mais limitado que uma série de TV que nos dá muito mais tempo de antena sobre as suas personagens – permitindo uma maior empatia – o filme para além de redundante torna-se também uma tímida amostra daquilo a que se propõe.
Como tal, e se realmente a temática do filme vos interessa, sugiro “Sleeper Cell”, pois este “Traitor” é muito pouco para o que a história merece.
O Melhor: Don Cheadle e a desconstrução da sua personagem
O Pior: A partir de certa altura este filme é uma fórmula tremendamente previsível
| A Base |
| Para além de redundante, “Traitor” torna-se também uma tímida amostra daquilo a que se propõe….5/10 |

