“Che – Guerrilla” por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Não existe muito a dizer sobre esta Guerrilha – ou segunda parte do filme sobre Che Guevara – do que o que escrevi sobre o primeiro filme. As razões são óbvias e prendem-se com o facto de, no fundo, se poder encarar estes dois filmes como um só.

Soderbergh continua a sua viagem pelos meandros da guerrilha, agora na Bolívia, local onde Che Guevara encontrou enormes contrariedades.

Logo à partida, o revolucionário encontrou um problema sério. Primeiro, o presidente boliviano, René Barrientos (interpretado no filme por Joaquim de Almeida) era muito superior em termos de antecipação de conflitos e inteligência política comparativamente a Fulgencio Batista, o homólogo cubano derrotado uns anos antes. Depois, Che não tinha um verdadeiro líder militar a seu lado, de nome Fidel Castro, imprescindivel para a vitória final.

Se aliarmos a estas duas bases as dificuldades com um terreno desconhecido, a ausência de apoio do partido comunista boliviano, o não conseguir conquistar a confiança dos poucos camponeses que moravam na região que escolheu para suas operações (quase desabitada), o não conseguir manter –sequer – a moral alta das suas tropa, então é fácil perceber porque foi derrotado.

E se no primeiro filme assistimos a como uma guerrilha deve funcionar, então neste filme somos confrontados com o oposto, onde Che e os seus cubanos sempre foram uns estrangeiros numa zona em que as pessoas só pensavam no hoje e não no amanhã.

Em termos de interpretações não há nada a destacar para além do inevitável Del Toro. Mais uma vez, é o actor que assume a liderança – nem outra coisa se esperava – sendo todos os outros meros peões.

A realização mantém-se sóbria, agora não recorrendo aos dois tempos como no primeiro filme, mas primando nas cenas de combate por uma direcção muito real mas não crua. Normalmente cai-se no academismo nestas situações, e Soderbergh é perito nessas experiências, tendo-se mantido porém sempre fiel no estilo.

No cômputo geral, estamos perante um trabalho que, pessoalmente, creio ter muito a dizer ao seu cineasta. O ícone Che Guevara e a figura que ele foi na América Latina foi, sem dúvida, o que Soderbergh conseguiu. Mas será só isso o Homem que ele foi?

Não creio…

O Melhor: Del Toro e a tristeza da comodidade das pessoas com quem falava.
O Pior: A duração excessiva mas, ainda assim, efectivamente insuficiente para Soderbergh mostrar melhor o que aconteceu entre a revolução cubana e a tentativa de mudança na Bolívia.

A Base
“No cômputo geral, estamos perante um trabalho que, pessoalmente, creio ter muito a dizer ao seu cineasta. O ícone Che Guevara e a figura que ele foi na América Latina foi, sem dúvida, o que Soderbergh conseguiu. Mas será só isso o Homem que ele foi?”…. 6/10
 
Jorge Pereira
 

 

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