“Killshot” por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
 
 

Baseado na obra de Elmore Leonard, “Killshot” é a tentativa de um filme saudável a partir de duas histórias de géneros bem díspares que se cruzam, não conseguindo porém em nenhum momento unificar-se numa única narrativa coerente, ou pelo menos interessante.

Por um lado temos a história de dois gangsters. Um deles, conhecido como “Blackbird” (Mickey Rourke), é um homem de descendência índia, mais velho e experiente, que trabalha como atirador contratado pela máfia. Após matar o líder de um grupo de mafiosos ele tem que fugir, aproveitando esse facto para regressar um pouco às suas raizes.

O segundo criminoso é o que se chama um “small time crook” muito estilizado, impulsivo e com mais garganta do que realmente capacidades. Interpretado por Joseph Gordon-Levitt (“Brick”), este bandideco passa o dia em esquemas completamente bizarros de forma a arranjar mais algum dinheiro para si e para a sua estranha namorada (Rosário Dawson) – uma personagem tão secundária que dói.

Já a segunda história envolve um casal em ruptura. Interpretado por um Thomas Jane com uns quilos a mais, e uma Diane Lane sempre sensual, este duo vai-se cruzar com o par de bandidos após um estranho encontro no emprego de Lane – o patrão desta estava a ser chantageado pela personagem interpretada por Joseph Gordon-Levitt.

Como “Blackbird” estava presente nessa confrontação e detesta deixar pontas soltas, ele decide perseguir o casal para o exterminar. A partir daqui temos um jogo do rato e do gato com pouco interesse, chegando mesmo a ser dramaticamente e sensorialmente nulo.

E tudo isto porque todas as personagens desta obra são bastante desinteressantes. Mickey Rourke interpreta um assassino com mais estilo que substância, nunca conseguindo criar nele a personagem negra e dúbia que merecia. Joseph Gordon-Levitt está em constante overacting, algo recorrente na sua carreira, bastando lembrar o seu papel em “Havoc”. É irritante, e quando finalmente “Blackbird” se “farta” dele é um alivio para o espectador.

Já Thomas Jane e Diane Lane são um casal muito insosso, com problemas importantes muito pouco explorados. Porém, é neste duo que encontramos o melhor do filme, funcionando toda a situação com os dois violentos criminosos como a melhor terapia de casal que poderiam encontrar.

E é no meio disto tudo que nós nos encontramos, ou seja: estamos num filme negro com um ambiente pouco envolvente; temos personagens com mais estilo no papel do que no ecrã; e temos mecanismo de acção muito pouco atraentes, e mesmo aborrecidos.

A eliminação de personagens, como a de Jason Knoxville, após os primeiros screen tests, demonstra que este foi um filme que nasceu torto e cresceu de forma não uniforme. O que é uma pena, pois toda a base desta obra seria ouro nas mãos de cineastas como os irmãos Coen, por exemplo.

O Melhor – Diane Lane
O Pior– O overacting enervante de Joseph Gordon-Lewis

 
A Base
“Killshot” é a tentativa de um filme saudável a partir de duas histórias de géneros bem díspares que se cruzam, não conseguindo porém em nenhum momento unificar-se numa única narrativa coerente, ou pelo menos interessante… 4/10
 
Jorge Pereira

 

 

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