
Aliás, se formos a analisar bem, a temática vampiresca tem sido sempre muito melhor tratada, quer em termos estéticos, narrativos ou simplesmente de charme, que qualquer filme com lobisomens.
E até pegando em exemplos recentes, os chamados teen vampire movies – como “Twilight” – superam as produções semelhantes do universo dos lobisomens, como “Ginger Snaps”.
Talvez caiba a “Wolf Man”, a estrear no fim do ano, o verdadeiro título de “Rise of The Lycans”, pois sinceramente, há muito que os lobisomens são submetidos pelos vampiros a um segundo plano. Não é só em “Underworld”, mas no cinema e literatura em geral.
E isto tudo para dizer que “Underworld – Rise of the Lycans” não é de todo o filme que os lobisomens precisavam, nem a revolução que merecem na história do cinema. Mas que não se pense, porém, que vou criticar muito esta obra. Aliás, antes de mais, deixo já algo bem claro. Para mim, este é facilmente o melhor dos três “Underworld” no mercado. Ponto final.
Cheguei mesmo a pensar que, sem Beckinsale e Les Wisemen, este terceiro filme iria directamente para vídeo. Ainda bem que não foi, pois estranhamente o filme ganha mais com a saída das suas bases do que perde. E isto é fácil de entender, pois com a saída da única estrela do filme, toda a história deixa de andar a reboque dela.
Beckinsale, uma actriz que eu particularmente gosto, e que, sem dúvida nenhuma, contribuiu muito para que esta obra se transformasse num franchise, dava outra dimensão a este “Underwold”, mas estando ausente faz com que todos os outros elementos, até então secundários, ganhem mais força e acutilância.
Quem ganha mais com isso é Bill Nighy (Viktor) e Michael Sheen (Lucien), que conseguem aqui um antagonismo e uma química negativa muito boa – o que é fulcral em filmes com heróis e vilões em constante conflito.
E Michael Sheen está muito bem. A sua personagem Lucien é uma espécie de Moisés pelos meios de William Wallace, com uma paixão à Romeu, em busca da sua Julieta (neste caso Rhona Mitra, a sua Sonja).
Claro que estou a encontrar personagens épicas para comparar os desejos dos argumentistas de “Underworld”, mas óbvio que os resultados não são assim, tão brilhantes.
Porém, este é uma interessante narrativa B com os meios do cinema comercial, actores da segunda linha de Hollywood com performances aceitáveis, interessantes sequências de acção (ainda que não muito inovadoras), medianos efeitos especiais e um óptimo design de produção.
Mas, acima de tudo, foi uma surpresa. É certo que, se viram os dois filmes anteriores não ganham muito em ver este, mas “Underworld” ganhou, finalmente, o ambiente e a época de conflito que merecia, isso sem dúvida.
A ver pelos fãs de lobisomens. Os de vampiros vão sentir a falta de charme, empatia pelas personagens…
O Melhor –Bill Nighy (Viktor) e Michael Sheen (Lucien)
O Pior – Os Lobisomens podiam estar melhor em termos de efeitos especiais
| A Base |
| “Este é facilmente o melhor dos três “Underworld” no mercado.[…] É certo que se viram os dois filmes anteriores não ganham muito em ver este, mas que finalmente “Underworld” ganhou o ambiente e a época de conflito que merecia, isso sem dúvida…. 6/10 |

