
E sim, não usar outro termo para definir as mulheres. Toda a linguagem deste filme, quer visual, quer escrita, quer imaginada e até mesmo do ponto de vista metafisico, nunca esquece as “gajas boas”. E atenção. Há gajas mesmo boas.
Aliás, sejamos francos. Nunca vi uma adaptação tão fiel ao espírito FHM ou seja, ninguém realmente admite gostar, mas toda a gente “lê” se a revista estiver à mão…
Nadia Bjorlin é vocalista de uma nova banda, mecânica, filha de um famoso piloto de carros e entusiasta da velocidade. Um dia ela vê-se envolvida numa corrida ilegal de carros desportivos, organizada por milionários que apostam tudo o que têm e não têm.
Pelo meio temos um duo de irmãos que arranja confusão onde quer que vá. Um deles esteve no Iraque, “é um herói”. O outro é um playboy que vai ganhando a vida trabalhando para o tio – um dos grandes apostadores dessas corridas ilegais, e vilão de serviço.
Todas estas personagens vão-se cruzar neste descendente directo de “Fast and Furious”, mas que não tem ponta por onde se pegue. E isto é sempre assim do principio ao fim. Mas se o argumento é banal, repleto de diálogos futéis e ideias velhas, a representação dos actores consegue ainda ser pior. No meio disto salva-se a realização, com alguns pormenores interessantes, ainda que na maioria das vezes pareça completamente formatada. E há também os carros. Para os fãs da velocidade, provavelmente será interessante ver as máquinas: Phantom Rolls Royce, Lamborghini Murcielago, Enzo Ferrari (Eddie Griffin teve um acidente com ele), Ferrari F430, Ferrari Scaglietti e dois Mercedes SLR McLaren AMGs. Também temos um Porsche Carrera GT que é destruído numa cena.
Um realce ainda para algumas das escolhas de planos. Aqui voltamos a pegar na expressão “gajas boas”, mas a verdade é que no fundo, sempre que aparecem em cena, o cineasta não perdoa e simplesmente faz-lhes um “checkup” com a câmara de cima a baixo.Por vezes, esse aproveitamente é tão obvio que uma sequência que até poderia ser sexy, se torna um objecto hilariante.
Como tal, e voltando a referir… “Redline” é mais a fantasia de um adolescente amante de carros, que um filme em si. Os seus erros e falhas são demasiado óbvios, sendo completamente compreensivel o tremendo “flop” que foi do outro lado do atlântico (custou 26 milhões de dólares, rendeu 6!!).
O Melhor: A sequência no avião. Se todo o humor fosse como nessa cena, o filme teria sido hilariante
O Pior: “I Love You Bro”+ Lágrima + Explosão = O melhor que já se viu em novelas mexicanas
| A Base |
| “Redline” é mais a fantasia de um adolescente amante de carros (e “gajas boas”), que um filme em si. … 1/10 |
Jorge Pereira

