“Bobby Z” por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Inicialmente, “Bobby Z” foi pensado como um filme que seria lançado nos cinemas americanos. Após o término dos trabalhos e dos habituais testes perante audiências limitadas, a Warner Bros. decidiu abandonar essa ideia, ficando a Sony com a batata quente de lançar esta obra directamente para vídeo.

Esta situação diz logo muito sobre um filme, que nos primeiros minutos até nos conquista com um estilo a fazer lembrar “Running Scared” – também com Paul Walker e dos filmes mais underrated da história – mas que aos poucos perde fulgor, transformando-se num verdadeiro caos de informação, personagens e de sequências de acção inconsequentes.

Tim Kearney (Walker) é um homem com azar. Após uma série de acontecimentos bizarros, este ex-marine vê-se atrás das grades e com o tempo contado. Isto tudo porque numa rixa acabou por eliminar um detido que mantinha na sua prisão uma posição estilo yakuza – protegia quem lhe pagava. Ameaçado e com pouco a perder, Tim aceita a proposta feita por dois agentes que lhe prometem a liberdade caso ele adquira a identidade de um tal de Bobby Z, uma lenda do tráfico de droga e do surf. Sem nada a perder, Tim aceita, mas nem tudo parece o que é, acabando ele envolvido numa história repleta de gangsters, policias corruptos e muita surrealidade.

“Bobby Z” tinha vários ingredientes que lhe poderiam dar o sucesso. Em primeiro lugar temos um bom actor para o estilo de filme que é. Walker não é uma prima dona da interpretação, mas em filmes de acção, a sua postura é suficiente para cativar o espectador. Assim foi em “Fast and Furious”. Assim foi em “Running Scared”. Por outro lado, tínhamos Laurance Fishburne, um actor que dispensa apresentações e que poderia representar na perfeição o vilão da história. Finalmente, e ainda no campo dos actores, tínhamos Olívia Wilde (“Dr. House”) como a sexy girl da película que conquista o coração do “herói”.

Porém, nada disto funciona. Fishburne está mal aproveitado, Walker não nos cativa como o centro do filme e Olívia Wilde não tem quase química nenhuma com ele. Mas não foi só a construção das personagens que falhou. O enredo, e a forma como estas personagens se adaptam aos eventos, não é nada apelativo. Nos tempos que correm, todos os filmes deste género sentem uma necessidade extrema de ir buscar a Tarantino o humor negro e uma acção estilizada para fazer funcionar as suas obras.

Esta “Tarantisis” é quase um vírus que se espalha de realizador em realizador, havendo até alguns casos nacionais – como Leonel Vieira ou Fernando Fragata.

John Herzfeld (“15 minutos”) claramente sofre desta “doença”, só que se esquece de uma coisa. Ele não é Tarantino e como tal tudo o que apresenta soa a filme requentado e não “fresco”.

Como consequência final, temos um filme pobremente elaborado, que falha em todos os campos e que demonstra de tal maneira uma falta de ideias que se aceita completamente o seu destino americano…

O Melhor: Mesmo assim, Paul Walker.
O Pior : As sequências de acção são totalmente desprovidas da adrenalina requerida para um filme do género. Joaquim de Almeida como traficante de droga já aborrece… Que cliché americano.

A Base
Filme pobremente elaborado, que falha em todos os campos e que demonstra de tal maneira uma falta de ideias que se aceita completamente o seu destino americano…o mercado de DVD.…. 3/10
 
Jorge Pereira

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