
Esta é uma boa questão, o certo é que por exemplo em “Diários da Motocicleta” tinhamos um Che muito menos político e muito mais ingénuo e humilde. Talvez um resultado da visão do cineasta, ou apenas uma questão de juventude. Desconfiamos da segunda mas não sabemos ao certo.
A verdade é que não é à toa que a maioria dos diálogos desta obra parecem tirados do “manual” de bons procedimentos de um homem de esquerda – que entende que a única forma de combater a ditadura cubana é através o uso da força. E para isso é “convocado” um Benicio Del Toro na sua melhor forma, cru, a atirar todas as frases revolucionárias que o definiram mas tossindo de vez em quando como que a lembrar que existiam questões de saúde que perturbavam o líder, dando-lhe assim um ar mais mortal e humano para lá do seu estatuto icónico.
Porém, o lado de estratega militar e político da revolução é, assim, o auge e o foco deste filme, assistindo o espectador a uma verdadeira lição de técnicas de combate, tudo enquadrado em dois tempos: o presente do filme (da guerra contra as forças governamentais – aqui vemos essencialmente o Che militar) e o futuro (Che nos EUA a defender a revolução cubana contra tudo e todos – Che o politico.)
Se era isto que queríamos ou não, isso depende de cada um. Acho que acima de tudo faltou um tom menos ícone e mais de homem como os outros que lutou contra uma situação injusta. Não basta dividir os louros em palavras para acharmos que eram todos iguais. O filme não mostra isso mesmo e, como tal, este é mais um postal “turístico” daquilo que já conhecíamos de Che do que propriamente um verdadeiro estudo da personagem.
Assim sendo, não existe na realidade nada de muito novo, apenas um reviver de uma das personagens mais importantes do século XX, realizada com engenho, timing e um enorme coração rebelde…
O Melhor – Benicio Del Toro e Soderbergh, o realizador
O Pior – O tratamento de ícone de Che Guevara. Conjunto de frases carismáticas atiradas ao ar, em vez de diálogos mais verosímeis.
| A Base |
| Faltou um tom menos ícone e mais de homem como os outros que lutou contra uma situação injusta. (,,,) este é mais um postal “turístico” daquilo que já conhecíamos de Che do que propriamente um verdadeiro estudo da personagem. .…. 6/10 |
Jorge Pereira

