“The Curious Case Of Benjamin Button” por André Reis

(Fotos: Divulgação)

Finalmente, chega até nós a nova obra de David Fincher que marca a terceira colaboração deste realizador com Brad Pitt e a sua estreia em filmes com a classificação PG-13 (equivalente ao nosso “Para maiores de 12 anos”).

Em 1918, no dia em que foi anunciado o fim da Primeira Grande Guerra, nasce em New Orleans uma criança que parece ter 80 anos. Assustado com o próprio filho, o pai foge com a criança e abandona-o às escadas de um lar de idosos gerido por uma mulher de origem Afro-Americana. Pensando que a criança sofre de uma doença terminal, a mulher acolhe-a e nomeia-o Benjamin. Mas com o passar dos anos, Benjamin fortalece e rejuvenesce ao invés de envelhecer. A partir de aí, Benjamin vai ter de enfrentar a vida nadando contra a maré e descobrindo o amor e o mundo…

Após um “Zodiac” meio conseguido, este “Curious Case of Benjamin Button” é bem capaz de agradar à uma audiência mais alargada, tanto pela história tratada de forma clássica – quase um contra-senso devido à característica peculiar do personagem principal – como pela bela dupla de actores principais.

Se há algo a destacar desde o início são as boas interpretações de Blanchett e Pitt e a química entre os dois. O duo, que já se tinha cruzado em “Babel” e quase formou par romântico em “The Fountain”, é um dos pilares fortes do filme, conseguindo manter-nos atentos e interessados durante a evolução da vida das personagens.

Para sustentar as interpretações, o argumento assinado por Eric Roth – que também escreveu “Ali” e “Munich” – é uma bela peça de escrita mas que ocasionalmente perde o equilíbrio, afectando o ritmo do filme. É preciso ter em conta que são perto de três horas em que a vida de Button nos é contada e alguns aspectos que certamente encontrariam lugar num livro aqui estão a mais. Mas isso é apenas um pequeno pormenor que em nada tira a agradável sensação que temos ao ver o filme – quando gostamos, as coisas más têm sempre menos impacto. Aliás, o argumento, baseado numa conto de F. Scott Fitzgerald, mistura vários temas de forma hábil sem nunca nos atirar à cara qualquer tipo de mensagem forçada – a dualidade vida/morte, as relações entre raças, etc.

Atrás da câmara, David Fincher distancia-se um pouco do estilo que tem feito a sua imagem de marca. Filmado em alta-definição, o filme beneficia, no entanto, do olho estético de Fincher para nos brindar com planos de enorme beleza. Como sempre, o cuidado com a imagem é visível desde a fotografia até à direcção artística, passando pelos efeitos especiais. A única cena de acção num filme todo ele muito contido é dinâmica mas filmada sem exageros e em nada estraga o equilíbrio visual da obra.

Para a partição musical, Fincher foi buscar um dos novos meninos bonitos de Hollywood. Alexandre Desplat (“The Painted Veil, “The Queen”) ocupou-se de dar música à obra e, apesar de uma certa repetição é bastante agradável e eficaz, lembrando por vezes algumas composições de Danny Elfman para Tim Burton.

Em conclusão, “The Curious Case of Benjamin Button”, é um belo filme. Uma história atípica servida por interpretações de qualidade, o filme transporta o espectador para uma viagem sempre digna de interesse.

Fincher põe de lado os seus tiques para melhor servir uma história de descoberta e amor repleta de momentos memoráveis. Sem dúvida alguma, um filme que é essencial ir ver ao cinema.

 

8/10                                                      

 

 

 

André Reis

Últimas