
O que acontece quando duas culturas separadas pelo Oceano Atlântico se chocam numa época de mudança? Acontece este “Easy Virtue”, uma comédia com tons dramáticos bastante bem construída, mais um daqueles filmes que dão oportunidade a vários actores de mostrar o seu talento ao público, quando isso não é possível nas vertentes mais [i]mainstream[/i].
John Whitaker (Ben Barnes) é um jovem britânico que se apaixona e casa com Larita (Jessica Biel) uma americana que acaba de triunfar numa corrida de automóveis no Mónaco. O casal viaja para Inglaterra para que John possa apresentar a sua mulher à restante família: a mãe (Kristin Scott Thomas) uma mulher habituada aos velhos e rígidos costumes da classe dominante britânica; o pai (Colin Firth), veterano de guerra para sempre alterado mas afável e as irmãs Hilda e Marion, que vivem debaixo da asa da matriarca da família.
As coisas complicam-se quando Larita revela uma mentalidade bastante moderna para agradar aos velhos costumes e ambas as senhoras Whitaker iniciam uma guerra sem tréguas.
Este é um filme que permite avaliar o talento de actores como Ben Barnes, a ser descoberto, e Jessica Biel, vinda directamente de Hollywood. Barnes (mais conhecido pelo seu papel como Píncipe Caspian na trilogia “Chronicles Of Narnia”) tem 27 anos mas a sua fisionomia aproxima-se mais à de um adolescente. Precisa pois de papéis mais maduros para ganhar credibilidade. Aqui, consegue uma personagem prestes a entrar na vida adulta, à beira de perceber a importância da responsabilidade familiar e que a vida não é apenas divertimento, tendo a seu lado a personagem de Biel, mulher mais velha, mais vivida, experiente no amor.
Kristin Scott Thomas está como sempre fabulosa, aqui num papel extremamente irritante mas muito bem sustentado. Colin Firth consegue um desempenho num registo ligeiramente diferente do habitual (já em “The Last Legion” tentara inovar um pouco). Interpreta um homem sofrido, marcado pelos combates, que no pós-guerra procurou sem sucesso escapar ao destino que o esperava no regresso às origens.
A estrutura do filme é bastante equilibrada. Ganha pelas peripécias apresentadas e pela fabulosa banda sonora que vai buscar algumas músicas da época, muitas vezes introduzidas no filme quase como num musical. “Easy Virtue” não é um grande filme, certamente não uma obra prima, mas é um bom filme e mais um testemunho de que podemos esperar cinema competente e divertido do velho continente.
7/10
Carlos Lopes
Não está convencido? Quer ler outra opinião?

