“Son Of Rambow” por Laura Moreira

(Fotos: Divulgação)

“Son of Rambow” é dos raros filmes capazes de nos fazer rir e chorar ao mesmo tempo.

Depois de Hitchhiker’s Guide to the Galaxy (2005) a dupla Garth Jennings e Nick Goldsmith volta a fazer um filme independente de sucesso.

“Son of Rambow” conta-nos a história de Will Proudfoot (Bill Milner)que faz parte de uma família pertencente aos Brethren, uma seita evangélica que nega todo o contacto com o mundo exterior. Isto faz de Will um rapaz tímido, que não pode ver televisão e não tem amigos.

Um dia, sentado no corredor da escola por não poder ver um filme educacional durante a aula, Will desentende-se com Lee Carter (Will Poulter), um jovem que está constantemente de castigo por se meter em sarilhos. Apesar disto, os dois rapazes iniciam uma relação de amizade profunda e marcante.

O desenrolar da história desenvolve as personagens de Will e Lee e mostra-nos aqueles que os rodeiam. Esta viagem pelo mundo juvenil é colorida pela imaginação fértil de Will, que nos é mostrada com maestria com recurso a algumas cenas de animação.

Com ângulos de câmara de uma originalidade (e simplicidade) que nos deixa boquiabertos, há qualquer coisa que faz lembrar a genialidade de Sin City – não por terem algo em comum em termos estéticos, mas mais pelo espírito pioneiro e pela forma inovadora de fazer cinema.

Uma caracterização da época quase perfeita transporta-nos de imediato aos anos 80, com as roupas, a atitude, a maquilhagem gótica, e uma banda sonora com nomes como The Cure ou Siouxsie & the Banshees.

Não só a direcção artística nos surpreende, o profissionalismo e naturalidade dos pequenos actores é extraordinária, e os papéis assentam como uma luva não só aos protagonistas como ao resto do elenco. Há quase um toque de documentário neste filme, como se apenas estivéssemos a ver cenas do dia a dia de dois jovens com contextos familiares peculiares.

De origem inglesa, estreado em Sundance, onde foi adquirido de imediato pela Paramount devido às reacções que causou, este filme mostra-nos que existem sempre múltiplas perspectivas de uma dada situação. Em “Son Of Rambow” dois lados de uma mesma moeda são encarados sem julgamentos de valor, apenas numa perspectiva humana e de compreensão.

É fácil perceber o sucesso desta história: este filme é a prova de que se podem fazer coisas brilhantes com pouco dinheiro. A dose certa de emoção, um retrato detalhado dos anos 80 e a naturalidade brilhante destes dois jovens actores, que nos fazem rir à gargalhada, fazem deste filme um dos melhores de 2007 – sim, a produção é do ano passado e Portugal é dos últimos países da Europa a estreá-lo.

De uma simplicidade que nos faz ficar a pensar porque se investem milhões em argumentos tão complexos, se é tão simples fazer um bom filme.

9/10

Laura Moreira

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