“The Wackness” por Lourenço Henriques

(Fotos: Divulgação)
“The Wackness” é o recente vencedor do Prémio do Público do festival de Sundance e também foi nomeado para o Grand Jury Prize, no mesmo evento. É um filme tocante, com uma carga emocional, em simultâneo, bonita, brutal e poética, além de ser uma pérola para os apreciadores do hip-hop dos anos noventa.

A história de um Verão na vida de Luke Shapiro, muito bem interpretado por Josh Peck, é-nos contada de um ponto de vista quase juvenil e ao mesmo tempo maduro e cortante. Shapiro é um adolescente nova-iorquino, que negoceia em drogas, obviamente para ganhar dinheiro, enquanto frequenta um liceu no qual não goza de grande popularidade entre os colegas. Um dos clientes de Luke é o seu psicoterapeuta, Dr. Squires, papel confiado a Ben Kingsley, que corresponde com natural genialidade.

O jovem traficante, que nutre já uma predilecção pela enteada do psiquiatra, Stephanie, acaba, no decorrer do filme, por desenvolver uma paixão avassaladora pela rapariga que apenas o corresponde parcialmente. Assim, somos convidados a assistir à inauguração amorosa de Shapiro, enquanto, por outro lado, contemplamos o naufrágio do casamento de Squires. Uma dualidade que acompanha, com mestria, todo o desenrolar da fita, a espaços cómica, a espaços dramática e até comovente.

Do ponto de vista técnico, “The Wackness” revela algumas fragilidades ao nível da edição, na escolha de planos que, por vezes, não permite um encadeamento ideal. Jonathan Levine, o jovem realizador que é também o argumentista, demonstra uma sensibilidade acima da média, com escolhas notáveis em matéria de encenação e enquadramento, que têm como contraponto esporádicas situações de absurdo totalmente dispensáveis. A fotografia brinda-nos com momentos inesquecíveis, dos quais se destaca uma cena particularmente bela, num chuveiro junto à praia.

Pela beleza, pela densidade da história, pela homenagem ao amor, mesmo quando infeliz, pela honestidade com que se apresenta, pelos desempenhos excepcionais de algumas pedras do elenco, pela audácia e pela juventude da realização, é sem sombra de dúvidas uma obra digna de francos aplausos e que vale muito a pena ser vista.

 
 
8 / 10
 
 
Lourenço Henriques

Últimas