Bryan (Liam Neeson) é um ex-agente da CIA, reformado por iniciativa própria de forma a poder estar mais perto da filha Kim (Maggie Grace) que vive com a a mãe, Leonor (Famke Janssen), na Califórnia. Um dia, Kim parte para Paris e é raptada. Sem pensar duas vezes, Bryan voa para a Europa à procura da filha que pode ter caído nas mãos de traficantes de mulheres.
Há já alguns anos que a Europa Corp. (criada por Luc Besson) tem invadido as salas de cinema com filmes comerciais e populares. Começou com Taxi (1998, Gérard Pires), continuou com a saga The Transporter (iniciada por Corey Yuen em 2002), Danny The Dog (2005, Louis Leterrier) e mais recentemente Hitman (2007, Xavier Gens).
Agora, chega às salas nacionais este “Taken”, bombardeado pela critica mas que, apesar disso, conseguiu ultrapassar a barreira do milhão de espectadores no território Francês.
Realizado por Pierre Morel (Banlieue 13), o filme é uma pequena surpresa na medida em que a formatação muito mainstream ajuda-o a tornar-se numa obra minimamente interessante que entretém. A culpa não está no argumento, escrito de forma superficial, sem realmente aprofundar o assunto chave (o trafico de mulheres para prostituição), servindo meramente de desculpa para ver Liam Neeson (sem o seu sabre de luz) eliminar dezenas de bandidos com golpes e outras armas letais.
Próximo de um Bourne em certos aspectos, o filme é visceral e tecnicamente bem realizado. Liam Neeson mantém-se sempre atento e é um agente da CIA plausível, ultra treinado e mais mortífero que um Steven Seagal da grande época.
É com um prazer não dissimulado que o vemos percorrer a cidade de Paris em busca daqueles que lhe tiraram a filha. Sem tempos mortos (a excepção do inicio), “Taken” é uma obra que segue o estilo dos filmes citados acima.
Bem realizado e com interpretações aceitáveis, o filme deixa-se consumir (é mesmo a palavra) com prazer e está longe das criticas que o apontavam como sendo uma obra sem interesse e qualidade. Uma vez mais, Besson consegue a sua aposta de trazer cinema de entretenimento Europeu com bons padrões de produção e que apelam ao espectador mais mainstream.
“Taken” é um pequeno thriller que não ficará na memória mas que satisfaz na hora. Com uma boa realização e cenas de combate violentas e em largo numero, o filme merece que se sentem 90 minutos.
Liam Neeson consegue convencer e faz com que perdoemos as fragilidades do argumento que tem o mérito de tentar falar de um assunto sério (eu disse tentar…) mas acaba por partir para o simples caminho do resgate com muitos corpos à mistura.
Para ver numa sexta-feira à noite, quando não apetecer pensar muito ou, simplesmente, porque se gosta de Van Damme e companhia e as saudades de um bom massacre no cinema apertam.
6/10
André Reis

