Queer Lisboa 2012: «Chroniques Sexuelles d’une Famille d’Aujourd’hui» por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

Depois do inclassificável “American Translation“, o público pôde assistir a outra longa-metragem da dupla Pascal Arnold e Jean-Marc Barr, em moldes completamente diferentes. E o veredito ao fim de duas longas-metragens é o seguinte: estamos claramente perante senhores com uma certa visão, sim senhor, mas com narrativas centradas em personagens muitíssimo pouco genuínas, frutos claros de construções de autor, e sem grande vida fora das páginas do argumento. 
 
O que dizer de “Chroniques Sexuelles d’une Famille d’Aujourd’hui” que o título já não evidencie? Neste caso não se trata de uma mera redução, mas sim uma descrição precisa do que temos aqui: sexo puro e duro (explícito, entenda-se!), vivido por vários membros de uma família muito moderna. Uma frase para descrever o filme – ou um título alternativo mais curto – poderia ser “É só sexo”. E quem diria que este poderia ser tão…aborrecido? 
 
O que frustra mais em películas como esta (e já me tinha deixado assim num filme como “American Translation“) é que há aqui um claro potencial para mais. Há aqui apontamentos deliciosos de humor à procura de uma história. O sexo explícito devia funcionar a favor, como extra, e não servir de existência base. Tenho no entanto a certeza que Arnold e Barr estão a formar um público próprio, que aprecia precisamente estas… intolerâncias. Só que simplesmente não funciona a um nível de satisfação básico em qualquer dos casos, e não sei se estou disposto a dar terceira oportunidade tão cedo.
 
 
 André Gonçalves
 

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