Filme dramático que sofre de alguns paradigmas devido ao seu conteúdo (ou falta dele). Por um lado procura mostrar a claustrofobia inerente ao mau relacionamento de um casal, Carmen (Mara Santucho) e Rafa (Marcelo Arbach), onde existe violência (implícita, e nunca explicita). Para mostrar isso, o estreante Mariano Luque, que escreveu e realizou o filme, precisa de tempo para mostrar as suas diversas sequências. Por outro lado, e apesar de ter uns (teoricamente) escassos 65 minutos, esta obra parece sofrer do complexo de curtas enfiadas no corpo de uma longa metragem, não acrescentando nada à temática, apesar de apresentar algumas ideias e cenas com elevado potencial.
O resultado final é uma obra díspar em sentimentos e resultados, sobressaindo uma relação tensa e condenada em que claramente o homem exerce uma força sobre a mulher de maneira a que esta não veja saída da relação.
A este drama do casal são acrescentadas algumas personagens familiares, mas demasiado insignificantes, e pouco exploradas no todo. A câmara de Luque revela-se também estática, preferido captar a ação que tem pela frente sem se mover, como se também tivesse retida naquela prisão. Associado a isto, é frequente o recurso a close ups que transmitem ao espectador a tal claustrofóbica e sentimento de detenção, mas a espaços também a contemplação e o passear de ideias na mente da Carmen. Isto até à inevitável explosão de repressões, ato que rompe um pouco com a dinâmica da obra, enquanto dá uma mensagem de esperança para o futuro.
Porém, muitas vezes o desejo de escape é abalroado pelo medo de não se saber viver sozinha, e no final, o homem vai permanecer como dono e senhor das chaves da masmorra que representam esta relação… Até quando? Não sabemos…
| Jorge Pereira |

