Festroia 2012: «The graveyard keeper’s daughter» (A Filha do Coveiro) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Assinado por Katrin Laur, «A Filha do Coveiro» é um drama em torno do desemprego, da ruralidade, da pobreza, do alcoolismo e de também de infâncias perturbadas por tudo isto numa região periférica na Estónia.. Em foco está Lucia (Kertu-Killu Grenman), uma menina de oito anos que apesar das boas intenções do pai, vive um ambiente aterrorizado pela falta de ocupação, depressão e dependência da mãe (Maria Avdjushko) em relação ao álcool. É o que se chama uma criança em risco…
 
Quando esta começa a dar muitos problemas na escola e a provocar alguns problemas junto de amigas, uma professora decide chamar a ação social – uma entidade com boas intenções mas burocrata e ineficaz – que infelizmente vai chegar tarde demais.
 
«A Filha do Coveiro» é um drama puro com alguma sensibilidade social, mostrando uma região periférica em que os seus habitantes estão divididos entre os que querem migrar para a vizinha Finlândia e os desocupados alcoólicos que fazem disso um modo de vida e tradição a manter.  No meio disto está uma criança negligenciada que inverte os papéis do jogo, ou seja, é ela que toma conta da mãe e de Jats, outra criança negligenciada com o síndroma de down. A certo momento ainda há esperança quando todos vão viver na casa de uma pastora religiosa finlandesa, mas os problemas ligados ao alcoolismo e a situação económica europeia inviabilizam essa hipótese, o que frustrará sobremaneira a pequena Lucia.
 
Laur consegue dar alguma profundidade às suas personagens à medida que também as afasta ou aproxima de cena. Isto acaba por se revelar positivo porque transmite para Lucia e a mãe o maior foco de atenção, mas carrega também consigo uma sensação de uma Estónia em profunda decadência e a sofrer de uma profunda depressão da nacionalidade. 
 
 
 Jorge Pereira
 

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