Depois de passagens com sucesso por festivais, como o de Roma, «Babycall» chegou ao MOTELx carregado pela notoriedade que a sua protagonista, a sueca Noomi Rapace, entretanto conquistou em Hollywood, onde protagonizou filmes como «Sherlock Holmes 2» e «Prometheus».
Neste thriller, Rapace repete a dose e a dor da sua personagem de «Beyond» (2010), filme onde também era fustigada por um passado tenebroso que condiciona o seu raciocínio no presente. E se nessa obra ela protagonizava uma mulher que tinha de visitar a mãe adoentada e lidar com os maus tratos que sofreu em pequena por parte do pai (com a conivência da figura maternal) , aqui a questão está também ligada à violência, mas do ex-marido, uma figura que a obrigou a «esconder-se» do mundo e a estar sobre a vigilância de assistentes sociais. Com ela está também o seu filho, Anders – uma criança sufocada pela pressão que carrega em si o peso da paranóia da mãe, cada vez mais incapaz de distinguir o real da fantasia.
Quem tira proveito disso é o realizador, Pål Sletaune, que pega nessa personagem dúbia e misteriosa para mostrar a sua visão da história, confundindo o espectador com a própria confusão mental da mulher, que navega frequentemente entre o real e o imaginado, não fugindo mesmo de se alimentar com elementos sobrenaturais.
O resultado é um thriller bem conseguido no interlúdio, mas um desastre na conclusão, pois tantas foram as portas que se abriram que quando chega a explicação, esta revela-se insatisfatória e incapaz de ligar todas as pontas soltas.
Ainda assim, destaque para Rapace no papel de uma mulher martirizada, ela que em terras escandinavas, seja como Lisbeth Salander (da trilogia Millennium) ou Leena (Beyond), tem sempre um passado digno de omitir.
O Melhor: É um filme que abre demasiadas portas e cria tensão e por isso prende o espectador
O Pior: É frustrante nas conclusões e quando visto como um todo
| Jorge Pereira |

