MOTELx 2012: «Emergo» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Não há nada de particularmente novo neste «Emergo» de Carles Torrens e a sua forma e conteúdo falam por si. Uma equipa de parapsicólogos decide documentar fenómenos paranormais na casa de um viúvo que vive com os seus dois filhos. Como pano de fundo temos uma morte na família, algo que afasta este pai da sua filha mais velha, uma adolescente profundamente irritante e anti-social que derradeiramente até pode ter a chave para toda a situação.

O que segue é cinema aos solavancos, onde a câmara tremida e nauseante, as imagens de câmaras de vigilância, as entrevistas e um combo de fenómenos habituais neste género (portas a bater, objetos a voar, telefonemas bizarros, quadros invertidos, barulhos vindos do teto, fraturas e rachas na parede e algumas aparições do além) tentam assustar e prender o espectador para uma história reciclada vezes sem conta e sem grandes méritos. 

E esse é o grande drama de «Emergo», pois tenta nos assustar com os sustos de outros filmes, com algo que já foi visto e revisto pelo espectador mais experiente – ligeiramente saturado do formato devido à avalanche de projetos nesta linha. 

 Acaba por ser mais estranha é a participação no argumento e edição de Rodrigo Cortés, realizador de filmes como «Enterrado» e «Red Lights» – que de um jeito particular também viaja no mundo da parapsicologia e do paranormal. Essa suposta mais valia não se revela aqui importante para levar o filme para outro patamar, surgindo mesmo nesta contribuição muitos dos problemas da obra.

Por isso, e em jeito de conclusão, «Emergo» é um thriller found footage demasiado familiar aos olhos do espectador e acaba por ser um peso morto e derivativo que facilmente se sugere evitar, pois nem os sustos conseguem surpreender o espectador.
 
O Melhor: É um filme relativamente curto
O Pior: Previsível e derivativo. Já vimos isto e bem melhor
 
 
 Jorge Pereira
 

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