Quem viu o trailer de «The Tall Man» assiste a uma Jessica Biel apavorada numa terra onde as crianças desaparecem sem deixar rasto e onde se culpa uma misteriosa criatura/pessoa intitulada de «Tall Man». Todo ele transpira a terror rotineiro e derivativo, o típico filme de horror lançado para a 2ª divisão do mercado cinematográfico (o Home Video).
Na realidade, Pascal Laugier repete a “graça” de «Martyrs» e apesar de começar o filme com um género e um estilo, acaba por torcer todo o seu enredo, transformando o seu conto de terror banal em algo mais. Muitos vão chamar ao trailer de enganador, pois provavelmente esperavam uma festa de sustos e um divertimento série B escapista. Outros, onde me incluo, agradecem a fuga ao esperado, revelando-se o filme uma surpresa que vai mais além do que o mero filme de terror, e nos prende até à sua resolução final.
Sem me alongar na história, para manter a integridade do seu enredo repleto de twists, a verdade é que este é um filme que levanta dilemas morais, coloca questões para debate, sendo quase certo que muitos lhe vão apontar um pensamento desumano, fascista e bastante perverso. Nada que vá tirar o sono ao cineasta, um homem habituado ao choque e que aqui se mune de artifícios e reviravoltas para criar vítimas, mártires e vilões. Curiosamente, fica ao gosto do espectador decidir quem é o quê, sendo certa alguma discussão – algo impensável quando se pensava que se conhecia toda a história deste filme com uma sinopse cliché.
Por tudo isto, e apesar de haver alguns problemas – como o excesso explicações finais e respostas, algo tão típico no cinema de massas norte-americano, obrigado a fechar as suas histórias depois de tantas reviravoltas – a verdade é que «The Tall Man» foi uma agradável surpresa e o cérebro que desligaram para ver o filme no início teve mesmo de ser ligado a meio da história.
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