Desde os primeiros instantes que sabemos que as coisas não vão acabar bem e o filme esforça-se em deixar em lume brando um ambiente pesado, claustrofóbico e intrigante, especialmente porque não sabemos todos os detalhes das pequenas (e muitas vezes bizarras) histórias que vão surgindo em cena. Com isto, aos poucos conhecemos o mundo de Ewa, primeiro através da perspetiva do casal que a contrata, depois sob os olhos da sua amiga polaca Aga (Natalia Rybicka), e finalmente pela sua própria visão.
É juntando as peças que vamos entender todos os lados da história, descobrir segredos e omissões, mas no essencial este exercício de estilo acaba por funcionar tanto a favor como contra a história que se quer contar, pois se por um lado em certos momentos adensa o mistério e cria a tal tensão constante, em outros é apenas um revisitar de clichés escusados e redundantes que acabam por desiludir na conclusão.
Ainda assim há muito mérito nesta primeira realização de Marco van Geffen, um homem habituado a escrever comédias e que aqui assume um género muito mais dramático e com tiques de thriller que lhe tem dado frutos e uma vasta carreira em festivais de cinema, como Locarno e Toronto.
| Jorge Pereira |

