«Switch», ou Eric Cantona contra o roubo de identidades

(Fotos: Divulgação)

O cinema francófono tem mostrado nos últimos tempos que consegue pegar muitas vezes no thriller clássico americano e transformá-lo ao seu estilo numa obra com uma dinâmica e estatuto cerebral capaz de se impor às restantes cinematografias. Curiosamente, este «Switch» representa um verdadeiro retrocesso nessa qualidade do suspense e tudo porque quando queremos fazer um bom thriller, há duas coisas que realmente têm de funcionar: a credibilidade e personagens pelas quais sintamos empatia e nos façam sofrer com elas.
 
Sophie (Karine Vanasse) é uma mulher sem emprego, namorado e perspectivas. Vive em Montreal, no Canadá, e precisa urgentemente de mudar de ares. Os serviços oferecidos por um site da Internet, Switch.com, parecem ser um bom recurso para este momento, já que dão a hipótese dela trocar de casa com uma francesa e assim tentar reanimar a sua existência. Um dia apenas após a sua chegada a Paris, Sophie descobre que foi vítima de uma cilada e que agora toda a gente pensa que ela é Bénédicte, a mulher com quem trocou de habitação, Na verdade, essa mulher assumiu a sua identidade e caberá a Sophie lutar com todos os meios para provar que não é a assassina que a policia crê que seja.
 
A forma como «Switch» é conduzido remete-nos para trabalhos como «O Fugitivo» ou até «A Rede», pois acompanhamos uma personagem perseguida por um policia implacável (Eric Cantona, neste caso) e que vê uma hacker roubar-lhe a identidade e passar-se por si. O problema neste género de filmes é que têm de ser contidos nas explicações que dão, nem que seja para não tropeçarem nos buracos do enredo que vão acrescentando aos poucos. E buracos e falhas é coisa que não falta neste «Switch», um projeto que para piorar ainda mais o seu estatuto apresenta prestações pobres dos atores e explicações displicentes e apressadas.
 
Tudo isto torna a experiência de assistir a esta obra num suplício, sendo frequentes momentos a roçar a profunda infantilidade e «nabice». 
 
Quando chegam os twists obrigatórios no último terço, o filme ainda tropeça mais na sua história (mal contada), arruinando assim na totalidade o pouco interesse que o filme já possuía. 
 
http://www.youtube.com/watch?v=py4nP1zpM1U 
 
Se procuram um thriller inteligente e com nexo – quer no comportamento das personagens, quer nos elementos da ação – então «Switch» é um filme que se deve evitar, ainda que num domingo à tarde possa entreter quando estão deitados num sofá a ver televisão, meio a dormir, meio acordados…
 
 
 Jorge Pereira
 
 

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