Quando falei de «Tram», tive o cuidado de dizer que apesar de o enredo parecer arrojado, aquela curta-metragem não era a mais afoita no Festival de Cannes.
Essa honra pertence a «The Dickslap», e se pelo nome não vão lá, então aqui deixamos por alto a sua história.
Francis é o dono de um videoclube especializado em filmes de artes marciais, mas a grande estrela que mantém o seu negócio é Ti-Kong, um herói com um pénis gigante que luta contra quem se colocar no seu caminho. Esse alguém pode ser Sonia, a empregada do videoclube por quem Francis tem um fraquinho, e que está interessada em ser uma das vitimas num filme de Ti-Kong chamado «Evil Nurse». Irá Francis conseguir ultrapassar as suas inseguranças e impedir que Ti-Kong aplique o seu «Dickslap» em Sonia?
Se estão confusos com a carga sexual desta curta, não estejam. O filme é uma comédia totalmente «silly» que aplica nos diálogos surreais e no romance em segundo plano as suas virtudes. Para além disso, somos ainda brindados com um confronto épico de artes marciais entre Francis e Ti-Kong, num dos momentos mais absurdos que podem assistir no cinema. Sim, é daqueles momentos tão maus, que acabam por ser bons.
Porque razão esteve esta curta na Quinzena dos Realizadores em Cannes? Só quem fez a seleção saberá responder, mas para quem gosta de comédias estilo Kung Pow com elementos ainda mais bizarros e desconexos, esta é uma boa opção.
| Jorge Pereira |

