Cannes 2012: «O Duplo» (Doppelgänger) por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

“Uau!” é uma das reações possíveis após o visionamento deste “Doppelgänger (O Duplo)” de Juliana Rojas, e merecidíssima menção honrosa na Semana da Crítica deste ano. Inspirado pelo “ folclore” de termos um “sósia” que representa o nosso lado negativo, e mais especificamente por uma história de uma professora do século XVIII assombrada pela visão do seu duplo, a realizadora consegue transportar para um imaginário latino algumas ideias já latentes noutros locais do globo, sem nunca sentirmos que estamos perante algo propriamente batido. Mérito acima de tudo da realização aqui. 

Silvia, uma jovem professora de matemática, é um dia assombrada pela visão da sua dupla a caminhar fora da sala. E não é só ela a ter esta visão: aparentemente, os seus alunos ficam parados na janela a ver “a outra”. Este acontecimento despoleta uma teia de eventos que levam ao limite tanto a professora como o espectador, que tenta solucionar algo insolusionável. 

“Doppelgänger” nunca soa a falso, e mesmo que no final talvez tenhamos ficado com a ideia que ficou algo por atar ou concretizar (o que de certo modo dá um ar mais “arrepiante” a isto tudo), o que está aqui é mais que suficiente para merecer uma recomendação plena. Após seis curtas-metragens e quatro passagens por Cannes, falta reiterar a vontade do meu colega: que venha uma longa!
 
 André Gonçalves
 
 

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