Depois de «Nuvem», Basil da Cunha voltou a invadir Cannes, na Quinzena dos Realizadores, com mais uma curta metragem que viria mesmo a ter direito a uma menção honrosa no certame.
O filme, entre a perseverança e a obsessão, segue Zé (José Pedro Gomes), um homem de 50 anos que trabalha no porto de Lisboa e que ambiciona, a todo o custo, viajar para a Suécia, fugindo assim ao bairro degradado onde vive com a mulher. Disposto a tudo, seja viajar num contentor, seja usar uma farda naval para se passar por capitão de um navio, este filme acompanha as suas peripécias, especialmente depois de a sua esposa ter encontrado uma caixa com as suas poupanças e ter comprado uma máquina de lavar ultra moderna.
Entre o drama e algum humor, «Os Vivos Também Choram» é um bom exemplo do que o cinema em português pode fazer, destacando-se José Pedro Gomes que consegue entrar na sua personagem sem qualquer tom de cair em overacting. O mesmo se pode dizer da maioria dos participantes/atores, muitos deles certamente amadores, mas que dão (como mais valia) uma dose maior de realismo à história, em oposição ao estilo teatral que constantemente sufoca a nossa cinematografia.
E depois de algumas curtas-metragens, o luso-suiço Basil da Cunha parece estar preparado para uma longa, até porque este «Os Vivos Também Choram» está muito bem filmado e com algumas sequências intercalares onde a musica vira personagem, o que ajuda ainda mais o filme a ser transportado para um patamar mais elevado.
| Jorge Pereira |

