Cannes 2012: «O Duplo» (Doppelgänger) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Pela quarta vez, Juliana Rojas visitou o Festival de Cannes. E se nos outros três filmes (as curtas «O Lençol Branco», «O Ramo» e a longa «Trabalhar Cansa») ela dividia a realização com Marco Dutra, desta vez a cineasta criou este «O Duplo» sozinha, inspirando-se no mito do Doppelgänger e baseando-se na história real de uma professora francesa, no século XIX, que dava aulas e começou a aparecer um duplo dela na escola. Naturalmente as pessoas ficaram assustadas e chegaram mesmo a vê-la a passar ao lado do seu duplo. A professora acabaria por ser despedida e mais tarde descobriram que já havia sido demitida de 12 escolas, sempre pelo mesmo motivo.
 
Partindo deste pressuposto, de certa maneira assustador, e caindo ao de leve para um género de cinema fantástico que o Brasil começa a apresentar com regularidade («Trabalhar Cansa» já assim o fazia), Rojas cria uma curta metragem tensa, embora sempre mais superficial que o seu potencial, pois o tempo para contar este conto não dava para mais.
 
No papel principal encontramos Sabrina Greve, uma atriz que pontua entre a calma e uma tensão reprimida quando confrontada com algo que não consegue antever ou explicar. Com essa incredibilidade vem uma transformação psicológica, mas Rojas não esquece as naturais mudanças físicas, carimbando na apresentação do corpo de Greve e na sua sexualidade, uma espécie de cronologia física e mental da sua personagem.
 
No final, uma nota ainda para um momento com bastante gore, algo que não é visto frequentemente na cinematografia brasileira, mas que representa uma verdadeira lufada de ar fresco e fecha um trabalho que só peca por não aproveitar todo o potencial. Queremos uma longa metragem…
 
 
 Jorge Pereira
 

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