«The Crown Jewels» (As Jóias da Coroa) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
«The Crown Jewels» é um filme juvenil sueco construído para TV e adaptado a esta versão mais ligeira que viaja constantemente entre a realidade e a fantasia. Interpretado por Alicia Vikander, uma jovem atriz que brevemente vai explodir em Hollywood (anotem o que eu digo), e por Bill Skarsgård (filho de Stellan Skarsgård e irmão de Alexander Skarsgård), no filme seguimos a triste vida de uma rapariga, Fragancia, que está acusada de disparar sobre um rapaz, Richard (Skarsgård), que pode ter sido o responsável pela morte do seu irmão. É já num interrogatório policial que a história nos é contada. 

Frangancia é uma menina que vivia com os pais e o irmão. O pai trabalhava na fábrica de sapatos (que alimenta/emprega toda a vila onde vivem), mas ambiciona inventar uma forma de criar ouro (e perde-se em experiências pela casa). Já a mãe é uma mulher doente e sem grande mobilidade. O irmão de Fragancia possui a síndrome de down e um dia desaparece no mar após uma partida preparada por Richard, o filho do homem mais rico da região e dono da fábrica onde todos trabalham. 

Claro está que pelo meio há inúmeros outros detalhes e personagens, como Pettersson-Jonsson, o melhor jogador de hóquei do mundo (com queda para a patinagem artística); o facto de Richard ter uma placa de metal na cabeça devido a uma queda logo após a nascença, e muitas mais dispersões, como o próprio investigador diz a Fragancia quando ela depõe.

Assim, assistimos durante quase duas horas a uma história repleta de fantasia, mini plots e multi-personagens que vão conduzir à questão final que é; quem disparou sobre Richard? Contudo, a base da obra é completamente telenovelesca e percebe-se uma adaptação à TV em vários episódios, mas não num filme único (sem ser de animação).

De qualquer forma, há algo de terno e doce nesta história e os mais pequenos até poderão gostar, mas o argumento está tão repleto de detalhes, histórias e personagens que tudo acaba por atafulhar e sufocar os espectador com demasiada informação. As coisas são de tal maneira que – tal como o inspetor -gostaríamos que houvesse um maior  poder de síntese por parte de quem nos conta a história. Por essa razão mesmo, nenhum ator se destaca, ainda que Vikander deslumbre a espaços, quando tem força para submergir e respirar no meio da história.
 
 
 Jorge Pereira
 

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