«El Estudiante» é uma obra universal no que toca a focar a luta pelo poder, e apesar de estarmos a falar de um filme que acompanha a actividade numa Universidade, politica é politica e os jogos sujos e militâncias de interesses são o pão-nosso de cada dia.
Apesar de muito enraizado na estrutura argentina, «El Estudiante» é uma obra universal no que toca a focar a luta pelo poder, e apesar de estarmos a falar de um filme que acompanha a actividade numa Universidade, politica é politica e os jogos sujos e militâncias de interesses são o pão-nosso de cada dia.
Ainda no recente «Nos Idos de Março» acompanhamos a versão americana e profissional dessa ambiciosa luta pelo poder, mas este « El Estudiante» não fica atrás em termos genéricos em mostrar jogos de bastidores, silêncios e omissões mesmo dentro dos próprios partidos, e objectivos de liderança para lá das ideologias.
Tudo é visto segundo os olhos de Roque Espinosa, um aluno que chega a Buenos Aires para reiniciar os estudos pela terceira vez. Durante os primeiros meses ele assiste a aulas e vagueia pelos corredores da faculdade como se procurasse um propósito. As aulas são interessantes, repletas de confrontos ideológicos e paralelismos que facilmente fazem eclodir alguns conflitos entre os intervenientes. Será através de uma paixão por Paula, uma professora auxiliar, que Roque vai entrar no mundo da política universitária, sendo o espectador verdadeiramente brindado com uma espécie de «siglas políticas estudantis argentinas for dummies».
Será num agrupamento partidário que ele vai contactar com Alberto Acevedo, um antigo politico com o dom da palavra e que usa a sua posição para organizar estratégias para chegar a reitor. Será com ele que Roque aprenderá as regras e os jogos de bastidores, que na maioria dos casos não são nada bonitos de se ver. Aliás, muitos dos vícios da política começam nesta militância precoce e são transpostos para o nível seguinte da hierarquia nacional.
Como tal, o filme consegue desconstruir muito bem o idealismo e o poder e a ténue ligação entre os dois. Resta-nos a esperança em relação aos nossos governantes futuros, nem que seja pela última palavra de Roque utiliza no filme…
| Jorge Pereira |

