Esta curta-metragem, que no ano passado triunfou em Berlim, Chicago e Sitges, é construída com meios e engenho muito acima da média, e muitas vezes nos sentimos tentados a querer saber mais e mais deste mundo repleto de zombies desde que uma praga há 30 anos atrás iniciou uma verdadeira contaminação no planeta.
Das cinzas, que nunca realmente chegaram a ser, surge uma nação em regime totalitário que, impulsionado pelas descobertas científicas (que permitem controlar os zombies), levam ao escravizar dos mortos-vivos, vivendo a restante sociedade numa prosperidade nunca vista.
Pegando em conceitos filoóficos de Friedrich Nietzsche e da psicologia de Ludvig Igra, o filme explora muito o conceito que alguns seres têm em ver os outros como inferiores de maneira a obterem uma vantagem estratégica sobre eles. E aqui as linhas entre a responsabilidade, a compaixão e crueldade são muito ténues, levantando-se questões deveras importantes, não só para o filme, mas para a história mundial (é difícil não ligar esta sociedade aos nazis).
Para além disso, «The Unliving» apresenta ainda histórias pessoais mais detalhadas, como a de um casal onde ela é uma caçadora (e por vezes exterminadora) de zombies e ele um dos homens que faz a lobotomia aos mortos-vivos.
Por estas e muitas outras razões (belíssima fotografia), «The Unliving» é uma curta-metragem que merece muita atenção, e se no final quiserem saber mais sobre esta história, podem ficar descansados. Esta curta-metragem já tem luz verde para ser adaptada a um trabalho de longa duração.
| Jorge Pereira |

