Curioso filme islandês (candidato à nomeação ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro) que põe em questão os desafios emocionais, físicos e éticos que um homem, Hannes (Theódór Júlíusson), vai encontrar quando a sua submissa esposa, Anna, começa a ter sérios problemas de saúde.
Rabugento, ausente e muito virando para si mesmo, como se estivesse cansado do mundo e sem um propósito, especialmente após a reforma, Hannes afasta-se de todos à sua maneira, usando a condescendência e o desprezo com os filhos, nunca esquecendo a fúria, principalmente interior do sem propósito. Os únicos prazeres que parece ainda ter são meros detalhes, como o fumar e navegar no seu velho barco, que terá também sérios problemas, que irão adensar a sua raiva interior.
Porém, e especialmente após ouvir uma conversa dos filhos, Hannes muda a sua postura, encontrando como finalidade acompanhar a sua esposa, entretanto transformada pela doença numa paciente em estado vegetativo sem qualquer interacção motora, sem o dom da fala e onde a única relação com o marido surge através de lágrimas e sons que evocam profundas dores.
No essencial, em «Volcano» estamos na presença de um grande filme onde se destaca a dimensão humana, tanto nos erros como nas virtudes, tanto na culpa como na redenção. Rúnar Rúnarsson, o cineasta, constrói e desconstrói uma personagem que terá de mudar a sua forma de ser e o seu mundo quando realmente fica totalmente entregue a ele. O filme coloca ainda algumas questões sociais importantes e entrega-se a um naturalismo cinematográfico que por diversas vezes sente-se poético, como o quebrar de uma rocha impenetrável prestes a explodir.
Uma nota final para a simples, triste mas maravilhosa banda sonora criada por Kjartan Sveinsson (teclista dos Sigur Rós)…
O Melhor: Theódór Júlíusson tem uma prestação notável
O Pior: Nada a apontar
| Jorge Pereira |

