
Esta obra de Ole Bornedal, mais conhecido por ter colocado Ewan Macgregor no turno da noite numa morgue em “Nightwatch”, é um trabalho neo-noir, com um enorme sentido estético e cujo enredo parece ser uma versão mais negra e tensa de “While You Were Sleeping”, a comédia que contava com Sandra Bullock no principal papel.
Aqui seguimos Jonas (Anders W. Berthelsen), um homem casado e fotógrafo criminal. A sua vida não é perfeita e apesar de ter uma boa relação com a esposa ele sente que algo falta. Essa questão é respondida logo após um gigantesco acidente na estrada, que deixa a condutora do veículo contra quem Jonas embateu num estado de amnésia total.
Estranhamente, a imagem da mulher nos seus braços leva-o a um enamoramento tal que ele vai assumir o papel de ex-namorado dela enquanto esta recupera da sua amnésia.
O problema é quando o verdadeiro ex-namorado surge e transforma toda a trama num violento jogo psicológico e tenebroso que envolve eventos ocorridos em Hanoi e personagens perigosas para todos.
Construído com um grande sentido estético, e variando entre uma espécie de neo-realismo (basta ver as cenas de Jonas com a família) e momentos de acção e violência psicológica caricaturais, “Just Another Love Story” é um filme bastante interessante e construído de forma desconcertada, descobrindo o espectador aos poucos o que levou Jonas a ser baleado (a sequência inicial indica também o fim do filme).
Bornedal consegue assim uma dupla vitória, pois tanto irá a atrair pessoas com desejos de entretenimento, como um público mais virado para cinema de autor, sendo interessante esperar pelo remake americano– já em preparação. 7/10

