
País: Irão, França
Ano: 2007
Já este “Two Legged Horse” é tudo menos poético e só se assemelha a um verdadeiro soco no estômago da cineasta ao mundo desigual em que vivemos – e não só no Afeganistão, onde este trabalho foi filmado.
Na obra seguimos dois rapazes, um rico e outro pobre. O rico não tem pernas, o pobre tem uma deficiência mental. Nos primeiros minutos do filme vemos um homem a pedir rapazinhos – a quem pagaria um dólar – para estes executarem um trabalho. Esse trabalho consistia em ser o cavalo do rapaz sem pernas, acompanhando-o para todo o lado.
Feita a escolha, assistimos a partir daqui a uma realção simples de mestre vs escravo, rico vs pobre, ou como Samira definiu, entre estados opressores e o seu povo, pisado, humilhado, metamorfizado em algo completamente desumano.
E é isso que assistimos nesta pequena obra. A metamorfização de um rapaz em cavalo e a consciência das desigualdades inerentes a este mundo.
Assim, não é de estranhar que muita gente tenha abandonado a exibição do filme em 2008 em Toronto, quando se assiste no grande ecrã a tamanhos actos de intimidação, violência e crueldade, entre homens.
Com isto Samira demonstra a sua coragem e o seu “nojo” pelas injustiças que existem.
Como tal, “Two Legged Horse” é devastador, mas inesquecível, não em termos de temática, pois amanhã o mundo continuará a ser hipócrita e injusto como sempre. O filme será sempre é um marco na cinematográfica duma cineasta corajosa que largou as imagens poéticas e usou um martelo pneumático cinematográfico para dizer o asco que sente em relação ao estado das coisas.
A não perder… 8/10
Jorge Pereira

