
País: França
Há uma boa mão cheia de filmes que impressionaram e chocam pelo conteúdo e a forma como tudo é apresentado. “Cannibal Holocaust”, “Funny Games”, “Audition”, “Irreversible”, “Visitor Q” e “Gozu” estão certamente na lista dos filmes que me mais deixaram desconfortável com o que assistia. Porém, só em “Martyrs”, obra choque de Pascal Laugier, experimentei uma nova sensação cinematográfica: a náusea e um desconforto tal que seria louco em recomendar o filme. Como o argumentista de “Let The Right One In” disse, “Martyrs” é um grande filme, mas não o vejam.
Estamos perante um torture porn movie que os vai deixar desorientados e aterrorizados com a violência gráfica com que nos deparamos. A directa e a indirecta, por sugestão.
Mas o filme começa de maneira bem diferente. Inicialmente, é nos apresentada uma filmagem antiga onde nos são relatados eventos dos anos 60 que envolveram uma jovem que foi molestada quando era jovem. Anos mais tarde, a ação centra-se numa família bem feliz a tomar o pequeno-almoço. Pai, mãe, filho e filha parecem ter uma vida radiante. De repente alguém bate à porta. O pai vai ver e mal abre a porta leva um tiro. A seguir vemos a mãe ser baleada, o filho abatido e a filha a ter o mesmo destino. Quem os matou foi a tal jovem que há anos atrás tinha sido molestada, que completa a chacina com a frase, “isto é pelo que me fizeram“. A partir daqui somos levados a um verdadeiro inferno emocional. O filme muda constantemente de direcção, o que acelera o nosso estado de impotência, perplexidade e angústia.
Seria fácil dizer que estamos perante uma obra que procura chocar as pessoas apenas com a violência gratuita. Mas será assim? No fundo, “Martyrs” é explícito, mas é na sua camada interior de estudos comportamentais, que transforma as obras como “Hostel” em fitas para maiores de seis anos. Se realmente querem sentir a tortura e não apenas ver, se querem sofrer e não apenas observar, então “Martyrs” é obrigatório na vossa lista.
Aí também vão perceber que este é dos filmes mais difíceis de escrever, porque odiamos profundamente um filme que nos faz ter as piores sensações que podem imaginar. Mas é por isso mesmo que também dou a nota máxima. É que depois de “Martyrs”, tudo o que vier nunca mais será igual


