Numa entrevista à revista Premiere, Jodie Foster afirmou que, apesar de nunca mais ter trabalhado com o realizador depois de “Taxi Driver”, onde desempenhava uma prostituta com 12 anos, Martin Scorsese mudou-lhe a vida. “Ver de perto um realizador que tinha uma assinatura e conseguiu impô-la… Estou muito feliz por ter podido viver uma experiência tão jovem.”, disse a atriz, confessando que antes desse filme não tinha a intenção de ser atriz na idade adulta: “Quando era criança, aquilo divertia-me, mas achava um trabalho um tanto tolo, onde apenas tinhas que dizer as palavras que outra pessoa tinha escrito. Não entendia como poderias passar a vida a fazer aquilo. Foi no set de “Taxi Driver”, observando Scorsese e De Niro, que entendi tudo que essa profissão envolvia, toda a sua profundidade”.
Nos arrependimentos ao longo da sua carreira, a atriz disse que não tinha nenhum e que todos os filmes que recusou participar ficaram bem entregues. Ainda assim, em jeito de brincadeira, avisa: “O meu maior arrependimento é que o Martin [Scorsese] não me tenha oferecido o papel do Travis Bickle! (Risos) Mas, naquela época, esse tipo de papel era impensável para uma mulher.”
Reconhecendo que ainda existem poucas mulheres realizadoras nos EUA, Foster falou do aumento do universo feminino nos sets de filmagens ao longo dos tempos, relembrando que, quando começou, além das atrizes e maquilhadoras, raras eram as presenças no feminino no set das filmagens.

Foster disse ainda que apesar de ser uma privilegiada por ter tido a hipótese de realizar filmes, sempre teve de lidar com uma indústria muito paternalista, mas que sente que nos novos tempos as coisas estão a mudar. Referindo-se a isso, a atriz e realizadora conta que viu recentemente “Nomadland“, e que vê em Chloé Zao “alguém que vai mudar o cinema”. Os elogios estenderam-se igualmente a Céline Sciamma e ao seu “Retrato da Rapariga em Chamas”, que define como “uma resposta magistral ao ‘male gaze’”.
No final, a atriz comentou ainda as controvérsias em torno de Woody Allen e Roman Polanski, com os quais trabalhou no passado, admitindo que provavelmente agora não trabalharia com eles, embora reconheça que a obra do franco-polaco é “imensa” e que muitos dos seus filmes a “tocaram” profundamente.
Jodie Foster poderá ser vista brevemente nas nossas salas em “O Mauritano”, onde atua ao lado de Tahar Rahim. No filme ela é advogada de Mohamedou Ould Slahi ( Rahim), um homem destido que permanece anos na prisão sem acusação ou julgamento.

“Quando soube que o Tahar ia interpretar o Mohamedou, saltei de alegria. ‘Um Profeta’ [filme que lançou a carreira do ator] é um filme maior”, concluiu.

