Homenageada com o Prémio Donostia pelo conjunto de uma carreira oscarizada em 1997 por “O Paciente Inglês“, a atriz francesa Juliette Binoche foi bombardeada, esta manhã, em San Sebastián, por perguntas sobre o realizador Jean-Luc Godard (1930-2022), que morreu esta semana, aos 91 anos, por morte assistida, na Suíça. Os dois fizeram o polémico “Je Vous Salue, Marie” (Eu Vos Saúdo, Maria), sobre o mito da Virgem Mãe de Jesus Cristo, que concorreu ao Urso de Ouro no Festival de Berlim em 1985. Em 2019, 35 anos depois, Juliette presidiu o júri do mesmo evento.
“Lembro-me do teste de elenco de Godard, em que ele me fez recitar um poema que sabia de cor enquanto penteava os cabelos“, diz a atriz de 58 anos, que se recorda de ter tido conjuntivite durante as filmagens desse filme, cuja abordagem irritou o Vaticano e levou o papa João Paulo II a condenar o filme. “Noto que a transparência de uma atriz no processo de criação a leva a fintar qualquer preconceito“.
Na conversa com a imprensa sobre a sua homenagem em San Sebastián, Juliette contou com a companhia da cineasta Claire Denis. As duas filmaram, durante a pandemia, em 2020, o drama romântico “Avec Amour Et Acharnement“, pelo qual Claire recebeu o Urso de Prata simbolizando a Melhor Realização da competição alemã este ano.
Juliette é a protagonista, vivendo uma radialista dividida entre dois amores. “Claire faz parte de um grupo de cineastas com quem quero sempre trabalhar, como Christophe Honoré, com quem fiz um filme há pouco tempo“, diz a atriz, referindo-se a “Le Lycéan“, em concurso pela Concha de Ouro deste ano. “Agora, vou fazer uma série e tenho alguns filmes para fazer também, com Uberto Pasolini. O cinema, quando fala sobre sentimentos, interessa-me sempre.”

