Ciclo no Cinema Nimas celebra os 80 anos de Wim Wenders

(Fotos: Divulgação)

A 14 de agosto, Wim Wenders completa 80 anos e, para assinalar esta data, o Cinema Nimas dedica-lhe um ciclo que percorre momentos centrais da obra de um dos pilares do cinema europeu contemporâneo.

O ciclo, que decorre de 14 de agosto a 1 de setembro, apresenta seis dos seus filmes mais icónicos, numa seleção que cruza continentes, linguagens e olhares.

Nascido em Düsseldorf em 1945, poucos meses após o fim da Segunda Guerra Mundial, Wim Wenders tornou-se uma das figuras mais influentes do Novo Cinema Alemão, ao lado de nomes como Rainer Werner Fassbinder, Edgar Reitz e Volker Schlöndorff. Estudou medicina e filosofia antes de se mudar para Paris em 1966 para estudar pintura, passando as tardes e as noites na Cinemateca Francesa, o que o ajudou a pensar no cinema como uma “extensão da pintura por outros meios“.

Internacionalmente reconhecido, Wenders destacou-se pelas personagens que vagueiam por estradas, cidades e fronteiras — não apenas geográficas, mas existenciais. “Vivemos nas cidades, as cidades vivem em nós”, ouve-se em “Notebook on Cities and Clothes”, documentário que realizou em 1989.

Ao longo de mais de cinco décadas, Wenders construiu uma filmografia de grandeza poética e rigor visual, muitas vezes em colaboração com grandes nomes da cinematografia, como Henri Alekan, o lendário diretor de fotografia de “A Bela e a Fera” (1946), em “As Asas do desejo” (1987), e com Robby Müller, em “Paris Texas” (1984) e “Até ao Fim do Mundo” (1991).

O realizador tem uma relação especial com Portugal, fortalecida pela colaboração com o produtor Paulo Branco. Passou por Lisboa e Sintra para filmar “O Estado das Coisas” (1982), obra que venceu o Leão de Ouro no Festival de Veneza. Em “Até ao Fim do Mundo” (1991), Portugal surge como um dos pontos-chave de uma viagem global que atravessa continentes, onde a presença de Amália Rodrigues e de Lisboa reforça o vínculo ao país.

E em “Lisbon Story” (1994), Wenders oferece um retrato afetuoso da capital portuguesa, celebrando o centenário do cinema, a cidade, a sua luz e música. Foi nele que descobriu os Madredeus e a voz de Teresa Salgueiro. E conta com um momento inesquecível: um cameo de Manoel de Oliveira.

O cineasta passou várias vezes por Portugal e pelo LEFFEST, destacando-se o tributo dedicado ao cineasta em 2015, onde apresentou um conjunto de fotografias que o cineasta fez durante a preparação e rodagem dos filmes “O Estado das Coisas”, “Viagem a Lisboa” e “Até ao Fim do Mundo”.

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